Dólar cai para R$ 3,11 com realização de lucros e tendência externa

Operadores atribuíram a queda do dólar a um movimento generalizado de realização de lucros, após a divulgação de dados de emprego nos EUA

Denise Abarca, O Estado de S. Paulo

08 de junho de 2015 | 11h20

SÃO PAULO - O dólar começou a semana em baixa nos mercados globais, em movimento de ajuste após a forte alta da sexta-feira, em reação à divulgação da criação de postos de trabalho nos Estados Unidos em maio acima do esperado. No Brasil, foi o quarto declínio em cinco sessões neste mês. O dólar à vista caiu 1,21%, para R$ 3,112, no balcão. Oscilou da máxima de R$ 3,1400 (-0,22%) à mínima de R$ 3,1090 (-1,30%). 

O dólar já abriu em queda ante o real, alinhado à tendência externa, que favoreceu várias moedas, com destaque para o euro. A divisa europeia teve forte avanço nesta segunda-feira, a despeito das preocupações com a Grécia, que mostra grande dificuldade em fechar um acordo para pagamento de suas dívidas.

O ministro de Finanças da Grécia, Yannis Varoufakis, pediu aos credores internacionais do país para se comprometerem com as negociações em torno do programa de resgate, ressaltando que um acordo é urgentemente necessário para prevenir o que poderia ser a saída sem intenção da Grécia da zona do euro. 

Operadores nas mesas de câmbio atribuíram a trajetória descendente do dólar basicamente a um movimento generalizado de realização de lucros, uma vez que na sessão anterior a moeda norte-americana teve expressiva valorização, após a divulgação de dados de emprego dos EUA de maio. O documento mostrou a criação de 280 mil vagas nos EUA no mês passado, a maior do ano e acima das expectativas dos analistas, de geração de 225 mil postos.

No Brasil, a queda ainda recebeu suporte das previsões de fluxo positivo, diante da Selic mais alta e das captações corporativas no exterior que vêm sendo anunciadas. Ainda que em montantes mais modestos, como os US$ 2,5 bilhões da Petrobrás, os analistas destacam que tais operações têm um papel importante ao sinalizar que o investidor têm interesse em papéis brasileiros mesmo com a deterioração dos fundamentos macroeconômicos. Segundo fontes, a Embraer emitiu US$ 1 bilhão com prêmio de 270 pontos-base sobre as Treasuries Notes de dez anos.

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