Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Dólar cai e Bolsa fecha em alta pelo segundo dia seguido

Dados econômicos positivos e possível antecipação da conclusão do processo de impeachment de Dilma Rousseff movimentaram os negócios

Paula Dias, Silvana Rocha, Lucas Hirata, O Estado de S.Paulo

02 Junho 2016 | 18h07

A Bovespa se apoiou em notícias nacionais e internacionais para garantir sua segunda alta consecutiva nesta quinta-feira, 2. O Índice Bovespa terminou o dia em alta de 1,78%, aos 49.887,24 pontos e com R$ 5,8 bilhões em negócios. Uma nova vitória do governo na Câmara se somou a mais dados econômicos melhores que o esperado, o que incentivou as ordens de compra de ações. O cenário internacional também contribuiu, principalmente com a virada do petróleo, que deu maior impulso às ações da Petrobrás.

Foi positiva a aprovação, em plenário da Câmara, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prorroga a Desvinculação de Receitas da União (DRU) até 2023. O governo Michel Temer precisava de 308 votos para aprovar a matéria, obtidos com folga: foram 334 votos a favor e 90 contrários. Os investidores não mostraram incômodo com o fato de o governo ter apoiado a aprovação, antes da DRU, de um pacote de aumentos do funcionalismo público, que deve custar R$ 52,9 bilhões até 2018, até porque a "pauta-bomba" já vinha do governo Dilma.

A produção industrial brasileira, que subiu 0,1% em abril ante março, na série com ajuste sazonal foi a boa notícia do dia em termos de indicadores econômicos. A taxa veio melhor  que a mediana esperada pelos analistas ouvidos pelo AE-Projeções, de -0,90%. O dado se somou ao resultado do PIB do primeiro trimestre do ano, divulgado ontem, também melhor que o esperado. 

Nesse contexto mais otimista, foi grande a repercussão da notícia de que a Kroton admitiu estar estudando a possibilidade de combinação de negócios com a Estácio, sua concorrente no setor de educação. As duas ações responderam com forte alta: Estácio ON subiu 23,74% e Kroton ON avançou 13,56%, liderando os ganhos do Ibovespa. A possibilidade de união das empresas trouxe otimismo por, em tese, sinalizar um ambiente mais propício à retomada de movimentações corporativas. 

O cenário externo foi influência negativa pela manhã, mas trouxe alívio à tarde, com a recuperação do petróleo. Petrobrás ON e PN subiram 2,79% e 2,69%, respectivamente. Em dois dias de alta, o Ibovespa contabiliza ganhos de 2,92%, alcançando os 49.887,24 pontos. 

Câmbio. O dólar se firmou em queda ante o real durante à tarde, após iniciar a sessão volátil em meio a ajustes. A pressão de baixa foi direcionada, internamente, pelo fluxo cambial positivo e pela possibilidade de o Senado antecipar o julgamento em plenário do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

Do lado externo, segundo operadores de câmbio, a queda foi conduzida principalmente pela alta do petróleo e avaliações de que um aperto nos juros nos Estados Unidos pode ser adiado para julho. O presidente do Federal Reserve de Dallas, Robert Kaplan, que não vota nas decisões do Fed neste ano, ressaltou que o risco de saída do Reino Unido da União Europeia "pode" afetar a decisão de junho do Fed.

Há ainda uma expectativa ruim para o relatório de emprego oficial norte-americano, que será anunciado amanhã. Caso confirmado, o indicador ruim de geração de empregos reforça a tese de postergação de alta nos juros norte-americanos.

O dólar no mercado à vista fechou em queda pelo segundo dia seguido, cotado a R$ 3,5843 (-0,21%). No dia, oscilou de R$ 3,5785 (-0,37%) a R$ 3,6094 (+0,49%). O giro total movimentado somou cerca de US$ 1,046 bilhão.

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