Paulo Vitor/Estadão
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Dólar cai para R$ 3,37; Bolsa recua com cautela antes de plebiscito no Reino Unido

Com entrada de recursos, moeda americana recuou 1%; no mercado de ações, investidores aguardam a decisão sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia

Silvana Rocha, Lucas Hirata, Paula Dias, O Estado de S. Paulo

22 Junho 2016 | 11h13
Atualizado 22 Junho 2016 | 19h30

O dólar caiu ante o real nesta quarta-feira, 22, pressionado pelo ingressos de recursos de exportadores e um movimento de desmonte de posições compradas no mercado futuro, assim como o viés negativo do Dollar Index. A moeda dos EUA fechou cotada a R$ 3,3789 no balcão (-1,01%).

A queda ocorreu a despeito do petróleo fraco e da divulgação de duas pesquisas hoje, que mostraram a maioria dos votos favorável à saída do Reino Unido da União Europeia. Na véspera do referendo britânico, a disputa segue acirrada e alguns agentes financeiros apostam na permanência do país no bloco. A votação acontece amanhã e o resultado é esperado na sexta-feira. 

Também pesou no dólar a sinalização da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, em sabatina no Congresso dos EUA, de que o banco central norte-americano pode manter os juros baixos no longo prazo. A alta de metais básicos, como minério de ferro (+2%, a US$ 51,7 por tonelada seca) e cobre (+0,6%, a US$ 4.700 por tonelada), também favoreceu a valorização do real. 

O diretor da Correparti, Jefferson Rugik, destacou que o dólar caiu lá fora ante o euro, a libra esterlina e em relação às moedas emergentes e ligadas a commodities e, aqui, houve fluxo de exportação e um leve desmonte de posições compradas no mercado futuro.

O cenário político segue no radar, mas não tem afetado os negócios porque o mercado sabe que a equipe econômica sob o comando do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, não tem perfil intervencionista, de acordo com profissionais do mercado. Ainda assim, todos estão atentos a um eventual leilão de swap reverso do Banco Central para conter a baixa do dólar.

Oi. As ações da Oi, que amargaram fortes perdas na terça-feira, tiveram resultados mistos. O papel ON (ordinário, com direito a voto) subiu 11,30%, a R$ 1,28, enquanto o preferencial recuou 1,23%, a R$ 0,80. 

Depois de ter subido durante cinco pregões consecutivos, o Ibovespa - principal índice da bolsa brasileira - rendeu-se à cautela com o plebiscito que decidirá sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia e fechou em queda de 1,34%, aos 50.156,30 pontos.

Outro fator que pesou negativamente para a bolsa foi a queda dos preços do petróleo nas bolsas de Nova York e Londres. A commodity caiu 1,44% na Nymex e 1,46% na ICE. As ações da Petrobrás, que pela manhã resistiram fortemente à queda do petróleo, acabaram sucumbindo à tarde. Ao final dos negócios, Petrobrás ON e PN cederam 2,43% e 1,99%, respectivamente, ambas fechando na mínima do dia.

A queda da Bolsa não foi maior devido ao desempenho das ações de mineração e siderurgia, que andaram na contramão do mercado, animadas pela alta das commodities metálicas. As ações da Vale sustentaram forte valorização, terminando o dia em alta de 1,60% (ON) e de 2,49% (PNA). Bradespar PN, acionista da Vale, registrou ganho de 1,44%. Gerdau Metalúrgica PN avançou 2,54%. 

Entre as ações que fazem parte do Ibovespa, os destaques de baixa ficaram com empresas exportadoras, que reagiram negativamente à queda de 1% do dólar. Entre elas estiveram JBS ON (-4,53%), Fibria ON (-4,20%) e BRF ON (-3,71%). Foram movimentados hoje R$ 6,48 bilhões, dentro da média de junho (R$ 6,5 bilhões). 

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