Dólar cai em linha com exterior e especulações sobre a Fazenda

Em dia de feriado em boa parte do Brasil, dólar é o único ativo negociado; moeda norte-americana recua mais de 1% ante o real

Márcio Rodrigues, Agência Estado

20 de novembro de 2014 | 13h40

O dólar à vista no balcão, o único ativo negociado neste Dia da Consciência Negra, que mantém a BM&FBovespa fechada, experimentava recuo importante, superior a 1%, neste começo de tarde. A baixa é uma continuidade do movimento de ontem e atribuída, principalmente, às especulações sobre a indicação do próximo ministro da Fazenda. Mas a fraqueza da moeda dos EUA no exterior também dá sua contribuição.

Às 13h13, o dólar no balcão tinha desvalorização de 1,09%, cotado a R$ 2,5520. O giro financeiro registrado na clearing de câmbio da BM&FBovespa era de apenas US$ 222,918 milhões. A taxa Ptax desta quinta-feira fechou a R$ 2,5450, com baixa de 1,54% em relação ao encerramento de ontem (R$ 2,5849).

A divisa norte-americana cai desde o começo do dia ante o real, em meio às especulações sobre o próximo ministro da Fazenda. Cotado para assumir a pasta, o presidente do Bradesco se reuniu ontem em Brasília com a presidente Dilma Rousseff, de acordo com informação publicada na edição de hoje do jornal O Estado de S. Paulo e mais cedo pelo Broadcast. Trabuco teria sido convidado para o cargo.

A presidente Dilma, no entanto, após participar de evento em Brasília, não confirmou a indicação do banqueiro para assumir a vaga de Guido Mantega na Fazenda. "Eu não divulguei nada", disse Dilma ao Broadcast, depois de participar da Conferência Nacional de Educação, em Brasília. "Vocês (repórteres) dão fora atrás de fora", acrescentou. Assediada por dezenas de conferencistas depois do evento, a presidente não respondeu à reportagem sobre quando deverá anunciar o sucessor de Mantega na Fazenda.

Trabuco agradaria ao mercado, mas o gerente de câmbio da Correparti Corretora, João Paulo de Gracia Corrêa, destaca que os outros nomes que circulam também seriam bem recebidos. Até por isso, segundo ele, os agentes estão mais calmos e o dólar encontrou espaço para cair. "Mas o giro está muito fraco, pois o mercado fica sem referência, com as principais praças e a Bovespa fechadas. Assim, cada banco monta sua posição de acordo com seu interesse", pontuou.

No exterior, o dólar começou o dia com ganhos diante da maioria das moedas, mas foi perdendo força com no decorrer do pregão. Após o Fed, em sua ata conhecida ontem, demonstrar preocupação com o ritmo das economias europeias, além de China e Japão, os PMIs divulgados hoje, justamente dessas três regiões, suscitaram cautela entre os investidores, derrubando os yields dos Treasuries e encurtando o fôlego do dólar.

O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro recuou para 51,4 em novembro, de 52,1 em outubro, atingindo o menor nível em 16 meses, segundo dados preliminares da Markit Economics. O dado ficou abaixo da previsão dos analistas, de ligeiro avanço para 52,2. Já o PMI industrial da China, medido pelo banco HSBC, recuou para 50,0 na leitura preliminar de novembro, de 50,4 na leitura final de outubro. O resultado de novembro é o mais baixo em seis meses. Por fim, o PMI industrial do Japão caiu para 52,1 na leitura preliminar de novembro, de 52,4 na leitura final de outubro.

Às 13h15, o dólar recuava 0,14% ante peso mexicano, perdia 0,08% ante o dólar australiano e caía 0,32% ante o canadense. O euro era cotado a US$ 1,2536, de US$ 1,2554 no fim da tarde de ontem.

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