Dólar cai em meio à expectativa com discurso de Bernanke, amanhã

Fed pode emitir dinheiro para impulsionar a economia norte-americana

Álvaro Campos, da Agência Estado,

26 de agosto de 2010 | 18h51

O dólar caiu hoje em relação às suas principais moedas rivais, com o aumento das especulações de que o Federal Reserve poderia adotar novas medidas para impulsionar a economia dos EUA. A moeda norte-americana recuou em relação ao euro e a várias outras moedas de alto retorno, mas caiu apenas levemente ante o iene, com as autoridades japonesas elevando o tom dos discursos contra a recente valorização da moeda do país.

 

Uma série de dados econômicos ruins nos EUA sugere "um risco maior de que o país esteja entrando em uma crise significativa e aumenta a probabilidade de que o Fed vai considerar novas medidas de afrouxo quantitativo", disse Steven Englander, diretor de estratégias para o G-10 do Citigroup. "Esforços mais diretos para aquecer a economia dos EUA devem gerar uma pressão sobre o dólar", acrescentou.

 

Os investidores devem observar atentamente o discurso do presidente do Fed, Ben Bernanke, em um encontro anual de vários bancos centrais em Jackson Hole (Wyoming), amanhã.

 

No fim da tarde, o euro estava em US$ 1,2724, de US$ 1,2655 no fim da tarde de ontem. O dólar estava em 84,41 ienes, de 84,78 ienes ontem. O euro estava em 107,40 ienes, de 107,20 ienes. A libra estava em US$ 1,5530, de US$ 1,5450. O dólar estava em 1,0239 franco suíço, uma recuperação em relação à mínima de sete meses atingida ontem durante a sessão, de 1,0222 franco suíço, mas ainda assim abaixo dos 1,0291 do fim da tarde de quarta-feira. O índice ICE Dollar, que monitora a cotação da moeda norte-americana ante uma cesta de moedas, estava em 82,841 pontos, de 83,275 pontos.

 

Moedas de alto retorno, como os dólares do Canadá, Austrália e Nova Zelândia, avançaram em relação à moeda norte-americana, embora tenham reduzido parte dos ganhos registrados mais cedo, acompanhando uma queda nos mercados de ações dos EUA. A libra também subiu ante o dólar, com o suporte de uma forte alta nas vendas no varejo no Reino Unido, que subiram para o nível mais elevado em mais de três anos em agosto.

 

Mas os ganhos do euro e de outras moedas de maior risco hoje não significam necessariamente que os investidores tenham ficado mais otimistas em relação ao crescimento global, afirmaram analistas da TD Securities. Em vez disso, a movimentação reflete uma expectativa de que os dados ruins divulgados esta semana nos EUA forcem o Fed a entrar em ação.

 

Além disso, analistas alertaram que a alta do euro deve durar pouco, com os receios sobre os países da periferia da zona do euro ainda em foco. A moeda comum europeia estaria particularmente vulnerável a uma desaceleração global, já que países comprometidos com grandes consolidações fiscais não conseguiriam atingir a meta de arrecadação de impostos que projetaram.

 

Durante a sessão na Ásia, o vice-ministro sênior de Finanças do Japão, Motohisa Ikeda, disse que o banco central do país (BOJ, na sigla em inglês) deveria adotar imediatamente medidas apropriadas para dar suporte à economia, sugerindo que a instituição deveria afrouxar mais a política monetária no curto prazo. "Eu espero que o BOJ faça o seu máximo. Escapar da deflação ainda é o nosso principal objetivo e eu também estou muito preocupado com os recentes ganhos do iene". As informações são da Dow Jones.

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