ADEK BERRY/AFP
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Dólar cai influenciado pelo exterior e fecha a R$ 3,49

Ausência de atuação do Banco Central deixou o mercado disposto a vender; Bovespa iniciou o pregão com sinal positivo, mas fechou em queda com realização de lucros

Fabrício de Castro e Paula Dias, O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2016 | 18h04

SÃO PAULO - A queda do dólar no mercado externo favoreceu o recuo da moeda americana também no Brasil. No mercado à vista, a divisa terminou o dia em baixa de 0,92% frente ao real, cotada a R$ 3,4921. A queda no mercado externo esteve relacionada principalmente às decisões de política monetária do Federal Reserve e do Banco do Japão, além do avanço do petróleo. No Brasil, a expectativa em torno do impeachment da presidente Dilma Rousseff e a ausência do Banco Central dos negócios intensificaram o movimento.

O dólar recuou durante todo o dia. Pela manhã, repercutiam a decisão do Fed, que manteve os juros na faixa entre 0,25% e 0,50% e indicou não ter pressa para elevar as taxas. Ao mesmo tempo, retirou do comunicado da decisão a palavra "riscos" ao se referir aos acontecimentos globais e citou o fortalecimento no mercado de trabalho. Nesta quinta-feira, 28, os investidores se apegaram à ideia de que os juros não subirão em junho.

No mercado à vista, o dólar chegou a marcar a máxima de R$ 3,5220 (-0,08%) às 10h21, já com todas essas informações nas telas dos operadores. Mas o viés era claramente negativo para a divisa americana, que logo depois voltou a aprofundar perdas. Ainda mais porque, apesar de as cotações à vista caírem abaixo dos R$ 3,50, o Banco Central se manteve distante dos negócios. Nenhum leilão de swap cambial reverso (equivalente à compra de dólares no mercado futuro) foi feito hoje, o quarto dia consecutivo sem atuações do BC.

Bolsa. No mercado de ações, a Bovespa cedeu a um movimento de realização de lucros e fechou em baixa de 0,30%, aos 54.311,97 pontos, depois de ter subido 5,04% em dois pregões. As ações da Vale fecharam em alta de 1,75% (ON) e de 1,83% (PNA), impulsionadas pela divulgação do resultado financeiro do primeiro trimestre do ano, que animou os investidores. A empresa reportou lucro líquido de US$ 1,776 bilhão, depois de dois trimestres consecutivos de prejuízo.

No sentido inverso ao da Vale estiveram as ações do Bradesco, que recuaram. As despesas do banco com provisões para devedores duvidosos aumentaram mais de 50% na comparação com o mesmo período do ano passado, num claro indicativo de maior inadimplência. Ao final do dia, Bradesco PN e ON caíram 1,62% (ON) e 2,05% (PN).

Os preços do petróleo se mantiveram com ganhos firmes e atingiram os níveis mais altos desde novembro de 2015, sustentando as ações da Petrobras em alta na maior parte do dia. As ações ordinárias da Petrobras fecharam em alta de 1,27%. As preferenciais não sustentaram o movimento de alta e acabaram cedendo 0,20%.

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