PAULO VITOR/ESTADÃO
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Dólar cai mais de 1% e vai a R$ 3,45 influenciado pelo cenário político

No início da sessão, a moeda americana subiu com investidores preocupados com a China, mas a realização de lucros ganhou força ainda pela manhã com um cenário político no Brasil menos negativo

Denise Abarca, O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2015 | 13h22

(Texto atualizado às 18h13)

SÃO PAULO -  O cenário político local menos tenso nesta segunda-feira de agenda esvaziada abriu espaço para realização de lucros no mercado de câmbio. O dólar fechou abaixo de R$ 3,50, na medida em que cessaram, por ora, novidades negativas do noticiário em Brasília e o governo parece estar se mobilizando em torno da recuperação da governabilidade.

O dólar começou o dia em alta ante o real, mas ainda pela manhã virou para baixo e o sinal negativo perdurou até o fechamento. A moeda à vista negociada no balcão caiu 1,71%, para R$ 3,450, fechando na mínima do dia. Na máxima, logo após a abertura, chegou a subir 0,43%, a R$ 3,5250. Nestas duas sessões seguidas de queda, apurou declínio de 2,43% ante o real.

Pela manhã, o avanço de 4,9% da Bolsa da China em meio a apostas de mais estímulos à economia local, após dados fracos de inflação e comércio exterior, pesaram contra as divisas emergentes e ligadas a commodities. Já nos Estados Unidos, novas declarações do vice-presidente do Federal Reserve, Stanley Fisher, contrárias ao início da alta de juros em setembro, apoiaram um enfraquecimento externo e as vendas de dólar no mercado local para realização de lucros. 

Os investidores, porém, seguiram acompanhando a movimentação em Brasília em torno das medidas fiscais que têm de ser votadas no Congresso. Diante das críticas de que o Congresso tem dificultado a aprovação das pautas do ajuste econômico, ontem, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), disse, em sua conta no Twitter, não ser culpado pelas derrotas do governo e que não tem como controlar os votos dos parlamentares.

Já a presidente Dilma quer se encontrar com líderes dos partidos aliados para tentar recompor sua base de apoio nos próximos dias, pois no domingo estão marcados protestos contra o governo por todo o País. Nesta segunda-feira, durante entrega de casas do Minha Casa Minha Vida, no Maranhão, ela fez um apelo para que as lideranças coloquem o País em primeiro plano. Segundo ela, o Brasil precisa mais do que nunca de pessoas que pensem primeiramente no bem do País e não "em seus partidos e projetos pessoais". "Quando há dificuldades, não adianta brigar um com outro, porque não vai resolver a situação. É necessário que medidas urgentes sejam tomadas."

Em outra frente, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, se reuniram nesta tarde para discutir sobre o projeto que revê a política de desoneração da folha, que passa a trancar a pauta do Senado nesta semana. Há pouco, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse que o governo quer votar a medida e encerrar o ajuste fiscal e que o Senado apresentará em até 20 dias "medidas para um horizonte econômico".

No exterior, a moeda americana operou em queda ante o euro, mas o desempenho ante as emergentes foi misto ao longo da sessão. Às 16h12, recuava 0,12% ante o peso mexicano, mas subia 0,26% em relação ao rand sul africano. O euro avançava a US$ 1,102. 

Bolsa. Após a queda registrada na última sexta-feira, a Bolsa terminou a sessão desta segunda-feira em alta de 1,60%, aos 49.353,00 pontos. O clima mais tranquilo no exterior, com a expectativa de medidas de estímulo na China e a alta das bolsas nos EUA, favoreceu uma recuperação bastante disseminada pelas ações que compõem o Ibovespa. A Petrobrás ON subiu 3,77%, PN, 2,68%, Vale ON, 5,05%, e PNA, 3,62% – papéis de bancos também registraram alta, como Bradesco PN, +1,19%, Itaú Unibanco PN, 1,31%, BB ON, +2,64%, e Santander unit, 0,91%.

No mês, o Ibovespa acumula perda de 2,97% e, no ano, de 1,31%. Na mínima desta segunda-feira, ficou estável aos 48.578 pontos e, na máxima, marcou 49.512 pontos (+1,92%). O giro financeiro totalizou R$ 5,467 bilhões. 

Nos EUA, as bolsas também subiram: o Dow Jones terminou a sessão em alta de 1,39%, aos 17.615,17 pontos, o S&P 500 avançou 1,28%, aos 2.104,18 pontos, e o Nasdaq teve alta de 1,16%, aos 5.101,80 pontos. / CLAUDIA VIOLANTE

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