Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Bolsa sobe pelo terceiro dia e acumula ganhos de mais de 4% em junho

Nos primeiros dias do mês, combinação de fatores no Brasil e no exterior motivou o otimismo dos investidores e fez Bovespa avançar; dólar, por outro lado, teve baixa de 2,38% no mesmo período

Paula Dias, Silvana Rocha, Lucas Hirata, O Estado de S.Paulo

03 Junho 2016 | 10h51

O cenário internacional deu o tom dos negócios e a Bovespa fechou em alta de 1,47% nesta sexta-feira, 3, aos 50.619,49 pontos. Foi o terceiro pregão consecutivo de alta, acumulando ganhos de 4,43% em junho. O volume de negócios somou R$ 5,5 bilhões. O destaque do dia foi a criação de empregos bastante aquém do esperado nos Estados Unidos, que praticamente eliminou as apostas de que o Federal Reserve vá elevar os juros no curto prazo, o que beneficiou os mercados emergentes de maneira geral. 

A alta da Bolsa foi puxada principalmente pelas ações dos setores de mineração e siderurgia. A alta de 3,3% dos preços do minério de ferro no mercado chinês impulsionou as ações do setor em todo o mundo e manteve os índices de metais em forte alta durante todo o dia. Com isso, as altas do Ibovespa foram lideradas por Vale ON (+8,63%), CSN ON (+7,78%) e Vale PNA (+7,68%).

Os ganhos foram reforçados após o Departamento do Trabalho dos EUA anunciar a criação de 38 mil empregos em maio. O dado foi o mais baixo desde 2010 e surpreendeu pelo contraste com a estimativa dos analistas, de criação de 156 mil novos postos. Com isso, diversos bancos americanos passaram a descartar as chances de o Fed elevar os juros em junho. Em alguns casos, até o mês de julho foi colocado em dúvida. 

O dado provocou um imediato enfraquecimento do dólar, com a reversão das expectativa de migração de recursos de outros países para os Estados Unidos. Com isso, os ativos de países emergentes foram beneficiados. As ações do setor financeiro estiveram entre os destaques de alta. Banco do Brasil ON subiu 2,37%, Bradesco ON avançou 1,83% e Santander Unit ganhou 1,17%. As ações da Petrobrás tiveram valorização de 1,03% (ON) e de 2,02% (PN), mesmo com a queda do petróleo no mercado internacional. 

Entre as maiores quedas do Ibovespa estiveram principalmente ações de empresas exportadoras, devido à forte queda do dólar e seus reflexos na receita dessas companhias. Fibria ON (-7,01%), Suzano PNA (-5,94%), Embraer ON (-1,79%) e Marfrig ON (-1,45%) foram destaques de queda no dia.

Dólar. O dólar se manteve em trajetória de queda contra o real e encerrou o pregão em baixa pelo terceiro dia seguido, diante da expectativa de que o aumento de juros nos Estados Unidos não deve ser tão iminente quanto se pensava anteriormente. O movimento desta sexta-feira foi desencadeado pelos fracos números do relatório de empregos norte-americano de maio, que mostrou a pior geração de empregos desde 2010, sinalizando que a maior economia do mundo pode não estar pronta para um aperto de crédito. 

Exportadores, investidores estrangeiros, fundos e bancos reduziram parcialmente suas posições compradas em dólar, em meio à cautela com o ambiente econômico americano e expectativas de migração de fluxo estrangeiro para mercados emergentes. Além do relatório de emprego, conhecido como payroll, os sinais de enfraquecimento econômico dos EUA foram reforçados pelos resultados ruins de índices de atividade no setor de serviços. 

 

A expectativa é de que a queda do dólar se estenda para a semana que vem, podendo levar a moeda para abaixo dos R$ 3,50, de acordo com profissionais do mercado. No entanto, esse movimento pode desencadear atuação do Banco Central, com leilão de swap cambial reverso (compra de dólares), para tentar sustentar um patamar mais alto, prevê um operador. 

O foco dos mercados se volta agora para o discurso da presidente do Fed, Janet Yellen, na próxima segunda-feira, que pode provocar ajuste de expectativas. Internamente, os destaques são o IPCA de maio e o anúncio da decisão sobre juros do Comitê de Política Monetária do Banco Central, ambos na quarta-feira. 

No mercado à vista, o dólar encerrou aos R$ 3,5252, em baixa de 1,65% e acumulando perdas de 2,38% desde o fechamento de terça-feira, a R$ 3,6111 - maior valor desde 7 de abril passado. Por volta das 17h29, o giro financeiro no mercado à vista, registrado pela BM&FBovespa, somava cerca de US$ 608,4 milhões. Durante o dia, a moeda no balcão oscilou da mínima de R$ 3,5240 (-1,68%) à máxima, aos R$ 3,5937 (+0,26%). 

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