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Dólar cai, mas encerra setembro com ganhos de quase 1%

Alívio dos temores sobre uma possível crise no Deutsche Bank ajudou o real e a Bolsa, que encerrou o pregão de hoje perto da estabilidade

Lucas Hirata, Paula Dias, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2016 | 18h23

O dólar comercial à vista encerrou a sessão desta sexta-feira, 30, em queda de 0,11%, aos R$ 3,2505, com o alívio dos temores sobre o risco de contaminação que causaria uma crise no Deutsche Bank. A moeda, porém, encerrou a semana em leve alta, de 0,25%, e os ganhos no mês foram de 0,73%.  De acordo com dados registrados na clearing da BM&F Bovespa, o volume de negócios somou US$ 1,592 bilhão.

A Bovespa também respondeu ao melhor humor dos investidores e terminou o pregão perto da estabilidade, em alta de 0,03%. O Índice Bovespa encerrou o dia aos 58.367,04 pontos, com perdas de 0,56% na semana, porém ganhos de 0,80% no mês.

O mercado de câmbio viveu dois momentos distintos ao longo do dia, que tiveram como marco a formação da Ptax final de setembro. A taxa serve de referência para contratos comerciais, balanços corporativos e vencimento de dólar futuro, por isso há forte disputa entre agentes financeiros com posições distintas ("vendidos" e "comprados") no mercado.

Na primeira parte dos negócios, quando ainda havia coleta para definição da taxa, o dólar mostrou maior instabilidade e registrou tanto a máxima quanto a mínima do dia no período matutino. O maior valor do dia, aos R$ 3,2574 (+0,10%), foi registrado logo no começo da sessão. Perto dos horários de coleta, foram registrados movimentos mais acentuados: a mínima, de R$ 3,2306 (-0,72%), veio próxima das 10h, e, cerca de uma hora depois, divisa zerou perdas. Logo em seguida, a divisa se firmou em baixa.

Também contribuiu para a queda do dólar o alívio de preocupações com a crise do Deutsche Bank, que beneficiou, de forma geral, moedas de economias emergentes e ligadas a commodities. Foram divulgados no final da manhã relatos de que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgará, neste fim de semana, uma multa - substancialmente menor do que previsto - ao banco por conta de sua atuação no mercado de títulos hipotecários na antessala da crise financeira de 2008. O valor poderia ficar em US$ 5,4 bilhões, bem menos do que os US$ 14 bilhões divulgados anteriormente.

Durante o período vespertino, também foram realizados dois leilões de venda de dólares conjugados com leilões de recompra da moeda estrangeira, conhecidos como "leilões de linha". Foram ofertados até US$ 4 bilhões - US$ 2,4 bilhões para rolagem e US$ 1,6 bilhão em dinheiro novo - distribuídos a critério do BC nas duas operações. A oferta de dinheiro novo pelo BC, conforme avaliação do mercado financeiro, buscou aliviar o estresse no FRA de cupom cambial de curto prazo, em meio a saídas pontuais de recursos do País.

Mercado de ações.  O último pregão de setembro - e do terceiro trimestre - foi de recuperação na Bovespa. Se na quinta-feira um grande temor com a crise do Deutsche Bank derrubou os preços das ações, hoje um alívio nesse nervosismo favoreceu a reação dos papéis. Puxado pelas ações dos bancos, o Índice Bovespa operou em alta moderada durante a maior parte do dia. Nos últimos minutos de negociação, reduziu o ritmo e terminou praticamente estável. O volume financeiro totalizou R$ 6,70 bilhões, próximo dos R$ 6,62 bilhões da média do mês.

Depois de terem caído até 8% na véspera, as ações do Deutsche dispararam hoje, com os ganhos superando 13% em alguns momentos. Essa recuperação sustentou ações de bancos em todos os mercados, levando as bolsas a voltar a operar no azul. Na Alemanha, o índice DAX subiu 1,01%. No Brasil, os destaques ficaram com Itaúsa ON (+1,10%) e Banco do Brasil ON (+0,75%). Já Itaú Unibanco, ação de maior peso no Ibovespa, perdeu fôlego perto do call de fechamento e acabou por fechar em baixa de 0,20%, o que contribuiu para reduzir os ganhos do Ibovespa.

Os preços do petróleo voltaram a subir e contribuíram para a alta das ações da Petrobrás, que avançaram 0,46% (ON) e 1,04% (PN). Já as ações da Vale caíram 1% (ON) e 0,96% (PNA), influenciadas sobretudo pela queda de 1,6% dos preços do aço no mercado à vista chinês.

Entre as ações que compõem o Ibovespa, as maiores altas do dia ficaram com Smiles ON (+4,01%), Qualicorp ON (+2,90%) e Natura ON (+2,33%). As quedas mais significativas foram de Usiminas PNA (-3,29%), Cemig PN (-2,28%) e Engie Brasil ON (-1,99%).

Levando em conta o avanço de 0,73% do dólar nesse período, o Ibovespa dolarizado teve perda de 0,07%. No trimestre, o índice acumulou ganho nominal de 13,27%. Até quarta-feira, 28, os investidores estrangeiros haviam retirado R$ 1,777 bilhão da Bovespa. Já em 2016, a Bolsa tem superávit de R$ 13,231 bilhões em recursos externos.

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