Dólar cai para R$ 1,672 a despeito da atuação do BC

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar à vista subiu 0,07% e fechou o pregão a R$ 1,6719

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

21 de janeiro de 2011 | 17h14

Apesar de dois leilões de compra no mercado à vista e outro no mercado futuro realizados hoje pelo Banco Central, o dólar comercial recuou 0,06% e fechou as negociações no mercado interbancário de câmbio cotado a R$ 1,672. No mês e no ano, a moeda americana acumula alta de 0,48%. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar à vista subiu 0,07% e fechou o pregão a R$ 1,6719. O euro comercial teve alta de 0,72% para R$ 2,2671. Nas operações de câmbio turismo, o dólar cedeu 0,17% para R$ 1,78 (venda) e R$ 1,647 (compra). O euro turismo caiu 1,26% para R$ 2,353 (venda) e R$ 2,21 (compra).

Com os leilões de hoje, o BC usou sua artilharia para tentar impedir que a trajetória de queda do dólar persistisse. Entretanto, isso não foi o suficiente para neutralizar o aumento da taxa Selic em 0,5 ponto porcentual para 11,25% ao ano e o ingresso de recursos no País, com a moeda norte-americana voltando a se desvalorizar, ainda que levemente, em relação ao real. O recuo externo da divisa dos Estados Unidos também foi monitorado.

"Esse cenário é inevitável. O Banco Central estava ciente de que precisava subir o juro para conter a inflação e que isso aumenta o fluxo de capital externo para a renda fixa", analisa o gerente de câmbio da Fair Corretora, Mario Battistel.

No primeiro leilão que fez hoje, já às 11h, o BC comprou dólares com taxa de corte de R$ 1,673. Na hora final do pregão, a autoridade monetária voltou a atuar no mercado à vista e definiu a taxa de corte do leilão em R$ 1,6720. Nesse entremeio, o Banco Central vendeu todos os 20 mil contratos ofertados no leilão de swap cambial reverso, totalizando US$ 989,5 milhões.

O swap cambial reverso é um contrato feito entre o Banco Central e instituições financeiras no mercado futuro. O swap vem do inglês "troca". Nesse caso, é feita uma troca de rentabilidades: dólar por juro. No período de vigência do contrato, o BC ganha a variação do dólar, a ser paga pelos bancos. As instituições financeiras, por sua vez, ficam com a remuneração da taxa Selic, que será bancada pelo governo.

Como o BC fica com a variação do dólar, seja ela positiva ou negativa, a colocação desses contratos equivale à compra da moeda pelo BC. Por essa característica, swaps reversos podem elevar as cotações do dólar. O termo "reverso" é usado porque originalmente, quando começaram a ser utilizados, os contratos de swap funcionavam de forma inversa: o BC pagava a variação do dólar e recebia o juro. Esse instrumento foi utilizado em momentos em que, ao contrário do que ocorre hoje, faltam dólares no mercado, como na crise de 2008 e 2009.

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