Dólar cai para R$ 1,732, menor valor desde 8 de janeiro

Forte liquidez no mercado global e perspectivas melhores para a Grécia valorizaram o real

Taís Fuoco, da Agência Estado, Agencia Estado

29 de abril de 2010 | 17h00

Nem dois leilões de compra por parte do Banco Central foram suficientes para conter a avalanche de vendas e a consequente queda na cotação do dólar hoje. Tudo conspirou a favor do real nesta quinta-feira, segundo os operadores: a alta mais agressiva da taxa básica de juros da economia brasileira (taxa Selic) na reunião de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom), o clima mais calmo no mercado internacional com a perspectiva de que a Grécia receba um pacote de ajuda em questão de dias e o excesso de liquidez no mercado global.

Depois da queda de 0,79% registrada ontem, o dólar comercial caiu mais 1,09% hoje e fechou as negociações no mercado interbancário de câmbio a R$ 1,732, o menor valor desde 8 de janeiro deste ano. A taxa mínima verificada hoje durante as negociações foi de R$ 1,725 e a máxima, R$ 1,738. Faltando apenas um dia para fechar o mês, o dólar acumula em abril queda de 2,75%. No ano, acumula recuo de 0,63%. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros, o dólar negociado à vista cedeu 1,16% hoje e encerrou o pregão a R$ 1,7302. O euro comercial caiu 0,74% para R$ 2,294, acumulando queda de 4,66% em abril e de 8,20% no ano.

O BC realizou o primeiro leilão de compra de dólares no final da manhã, quando fixou a taxa de corte das propostas em R$ 1,7328. Voltou ao mercado num segundo leilão por volta das 15 horas, comprando dólares à taxa de R$ 1,7309. Esta foi a segunda vez este ano que o BC fez dois leilões no mesmo dia. A primeira foi em 15 de abril, depois de quase três anos sem usar esse expediente. As compras diárias pelo BC acontecem desde 8 maio do ano passado, mas apenas nesses dois eventos interveio duas vezes no mesmo dia.

"O que não falta hoje é vendedor, tudo está a favor do real", afirmou Felipe Brandão, corretor de mercados emergentes da Icap Brasil. O clima de trégua no mercado internacional, segundo ele, só favoreceu a apreciação da moeda brasileira, que ontem à noite ainda ganhou um atrativo a mais com a elevação da taxa Selic a 9,5% ao ano - o Brasil foi o primeiro País da América Latina a elevar sua taxa básica de juros após a saída da crise financeira internacional.

Depois do segundo leilão, foi a vez do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, declarar, em entrevista à imprensa, que a valorização do real preocupa o governo e que o Tesouro irá acelerar a compra de moeda para conter a pressão no câmbio. Ele ainda acrescentou que a compra de dólares pelo Fundo Soberano do Brasil (FSB) não se limita aos recursos depositados no fundo, hoje de R$ 17 bilhões, já que a legislação permite ao Tesouro emitir títulos para que o FSB compre mais moeda americana.

As declarações, dadas quando faltava pouco mais de meia hora para encerrar o pregão, não tiveram, entretanto, grande efeito sobre a cotação da moeda, que já vinha ladeira abaixo. "O mercado não reagiu às declarações dele (Augustin), a moeda voltou ao R$ 1,73 em reação aos dois leilões do BC", acredita Deivis Gomes Ribeiro, gerente de operações da Fair Corretora. "O mercado já esperava por algo desse tipo, o problema é saber o que vem pela frente em termos de crises em outros países", acrescentou.

Câmbio turismo

Nas operações de câmbio turismo, o dólar caiu 1,14% hoje para R$ 1,819 (venda) e R$ 1,669 (compra). Em abril, o dólar turismo acumula queda de 3,24%. O euro turismo cedeu 1,18% hoje para R$ 2,424 (venda) e R$ 2,175 (compra), com queda acumulada de 4,08% no mês e de -8,18% desde o começo do ano.

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