Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Dólar cai para R$ 3,64 com cenário político e exterior

Já a Bovespa terminou em queda de 1,95% com a venda de ações pelos investidores, que buscaram embolsar parte dos lucros acumulados em março

Fabrício de Castro,Karla Spotorno, O Estado de S. Paulo

06 de abril de 2016 | 12h20
Atualizado 06 de abril de 2016 | 18h24

O recuo do dólar ante o real nesta quarta-feira, 6, foi justificado por uma série de fatores, tanto internos quanto externos. Um movimento de realização dos lucros recentes, um fluxo de entrada de recursos no País no período da manhã, a alta do petróleo no exterior e a expectativa de que o impeachment possa voltar a ganhar força eram citados nas mesas. O resultado foi uma queda de 1,11% da moeda americana, aos R$ 3,6404. A Bovespa, por sua vez, viu investidores venderem ações e embolsar parte dos fortes ganhos acumulados em março. A incerteza sobre a política também influenciou os negócios, e o Ibovespa terminou em queda de 1,95%, aos 48.096,24 pontos.

No início do dia, o dólar até chegou a subir ante o real, dando continuidade ao movimento de segunda e terça-feira, quando as incertezas políticas fizeram os investidores reduzirem as apostas no impeachment da presidente Dilma Rousseff. Às 9h19, o dólar marcou a máxima de R$ 3,7093 (+0,76%).

Depois disso, porém, a moeda americana começou a perder força. Profissionais ouvidos pelo Broadcast citaram um fluxo de entrada de recursos no País, que favoreceu a queda das cotações. Além disso, alguns players aproveitaram para realizar os lucros mais recentes, vendendo moeda.

No exterior, pela manhã o dólar mostrava ganhos ante várias divisas, mas à medida em que o petróleo foi ampliando os ganhos tanto em Londres quanto em Nova York, a moeda americana começou a perder força. Havia ainda muita expectativa para a divulgação da ata do último encontro do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), marcada para as 15 horas.

uando o documento saiu, a reação no câmbio acabou sendo pontual no Brasil - assim como no exterior. No documento, os dirigentes do Fed expressaram "várias divisões" sobre ajustes nos juros na próxima reunião, marcada para abril. Ao mesmo tempo, vários deles acreditam que uma elevação nos juros em abril é "um sinal de urgência impróprio" e que uma abordagem cautelosa para a taxa seria "prudente".

No Brasil, o dólar renovou mínimas mais para o fim da tarde, mas o movimento teve pouco a ver com o Fed. Foi mais uma continuação da venda de moeda vista mais cedo. Às 16h05, o dólar à vista marcou a mínima de R$ 3,6394 (-1,14%). Depois, encerrou nos R$ 3,6404.

Bolsa. Já o recuo de hoje do Ibovespa confirmou a alternância diária entre altas e baixas, vista desde 30 de março. Profissionais disseram que os negócios foram conduzidos pelo cenário político, que mostra indefinição sobre o futuro de Dilma Rousseff no Planalto e das políticas governamentais.

Houve forte queda das ações do setor elétrico. No mercado, há o receio de uma mudança no comando do Ministério de Minas e Energia e, consequentemente, da política do setor. No ranking das maiores baixas da carteira Ibovespa, figuraram três companhias de energia: Cesp PNB (-6,30%), Cemig PN (-5,83% e CPFL On (-4,26%).

As blue chips também fecharam em queda, sendo que a Petrobrás chamou atenção para a aderência zero de seus papéis à forte alta do petróleo. A ON recuou 0,92%. E a PN, -3,19%.

Na mínima, o Ibovespa marcou 47.874 pontos em queda de 2,41%. Na máxima, ficou no mesmo patamar (47.874 pontos) de ontem (0%). O total de negócios, calculado pelo giro financeiro da Bolsa, totalizou R$ 5,987 bilhões.

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