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Dólar cai pela quarta sessão seguida e fecha na menor cotação desde agosto

Moeda atingiu o menor patamar em dois meses e encerrou os negócios a R$ 3,18; Bolsa fechou em alta de 0,16%

Lucas Hirata. Paula Dias, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2016 | 19h06

O dólar inverteu o sinal e fechou em queda nesta quinta-feira, 13, a R$ 3,1834, no valor mais baixo desde 11 de agosto (R$ 3,1385). De acordo com especialistas, a queda de 0,50% deveu-se à melhora do apetite de risco por parte dos investidores estrangeiros e ao otimismo com o cenário doméstico.

Nas quatro últimas sessões, o dólar acumulou perda de 1,24%. Na mínima do dia, a divisa norte-americana chegou aos R$ 3,1764 (-0,72%), menor intraday desde 8 de setembro (R$ 3,1668). De acordo com dados registrados na clearing da BM&F Bovespa, o volume de negócios somou US$ 1,111 bilhão. 

Já a Bovespa fechou em leve alta, mesmo com as bolsas americanas operando em baixa. O movimento foi sustentado principalmente pelas ações da Petrobrás e do setor financeiro. Depois de ter caído até 1,28%, o Índice Bovespa inverteu a tendência à tarde e terminou o dia aos 61.118,58 pontos, com alta de 0,16%. 

A primeira parte dos negócios foi marcada pela cautela, principalmente, após a divulgação de dados econômicos mais fracos que o esperado da China. A postura defensiva dos agentes financeiros pela manhã também foi alimentada pela discussão em torno do aperto monetário nos Estados Unidos. Ontem, o Federal Reserve divulgou a ata da reunião de setembro, quando manteve juros inalterados em 0,25% a 0,50%. O documento revelou que a decisão foi "por um triz" e que alguns integrantes do BC já viam como adequado elevar as taxas "relativamente em breve". Por outro lado, os dirigentes continuaram a mostrar visões divergentes sobre os avanços econômicos. 

No entanto, as preocupações foram atenuadas com a inversão dos contratos futuros de petróleo para o positivo, no começo da tarde, o que também ajudou a marcar a melhora do apetite por risco lá fora. Domesticamente, existe perspectiva positiva sobre o ambiente doméstico, com o andamento da PEC 241 no Congresso e atenuação das disputas políticas. Também há expectativa de entrada de recursos no Brasil, por causa da lei de repatriação de recursos enviados ilegalmente ao exterior. Por enquanto, as discussões sobre mudanças na lei estão paradas e o prazo de adesão ao programa permanece 31 de outubro deste ano.

Ações. A participação mais ativa do investidores estrangeiros fez a diferença na Bovespa, permitindo um viés positivo, mesmo em um dia de maior cautela no cenário externo. Nesse ambiente, as ações da Petrobrás foram o principal destaque do dia. Em meio aos vencimentos do Ibovespa futuro e de opções sobre o índice, os papéis já operavam em alta pela manhã, na contramão dos preços do petróleo. Ganharam maior fôlego quando a commodity virou para o terreno positivo e fecharam com altas de 2,46% (ON) e de 2,40% (PN). 

As ações do setor financeiro também se destacaram, mostrando a melhora da percepção com o País. As units do Santander Brasil ganharam 4,06%, seguidas por Banco do Brasil ON (+1,73%) e Itaú Unibanco PN (+1,13%).

Já papéis da Vale seguiram as fortes quedas das ações de mineradoras estrangeiras, que reagiram negativamente aos dados fracos da economia chinesa, a segunda maior do mundo. Ao final do dia, Vale ON e PNA recuaram 4,54% e 2,82%. Além da Vale, também foram destaques de queda os papéis de Usiminas PNA (-4,31%) e CSN ON (-3,14%). 

Apesar da queda do dólar, que chegou a ser negociado abaixo dos R$ 3,18 ao longo do dia, ações do setor exportador avançaram. Marfrig ON, que subiu 5,46%, liderou os ganhos do Ibovespa, além de Cosan (+2,65%) e Embraer (+2,50%). Com o resultado de hoje, o Ibovespa passa a contabilizar ganho de 4,71% em outubro e 40,99% em 2016. 

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