Dólar cai quase 2% e interrompe sequência de três dias de alta

Moeda fechou a R$ 3,06 com sinalização de que o Banco Central pode manter o ritmo de alta de 0,50 ponto percentual da Selic

Clarissa Mangueira, Agência Estado

14 Abril 2015 | 12h05

SÃO PAULO - O dólar fechou em queda, nesta terça-feira, alinhado ao recuo ante outras divisas no exterior. A moeda acelerou o declínio na segunda parte da sessão com comentários do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

No fim da sessão, o dólar caiu 1,86%, aos R$ 3,0620, interrompendo três sessões de alta. O volume de negócios totalizou US$ 912 milhões.

A queda generalizada do dólar no exterior refletiu os dados das vendas no varejo dos EUA, que ficaram abaixo do esperado. As vendas subiram 0,9% entre fevereiro e março, menos que a elevação de 1,1% estimada pelos economistas. Investidores acreditam que o Federal Reserve, banco central norte-americano, não irá subir as taxas de juros enquanto os indicadores econômicos não mostrarem uma recuperação consistente. 

Ao longo da tarde, o dólar acelerou a queda em relação ao real e bateu mínimas, na medida em que os investidores avaliavam comentários de Tombini, durante evento em São Paulo. A autoridade reiterou que o fortalecimento da política fiscal "por meio de um processo consistente e crível de consolidação de receitas e despesas, rigorosamente conduzido" facilita, ao longo do tempo, a convergência da inflação para o centro da meta. Segundo Tombini, "há compromisso firme da política monetária com a convergência da inflação para dezembro de 2016". Ainda segundo ele, a política monetária "foi, está e continuará vigilante". 

Na avaliação de profissionais consultados pelo Broadcast, serviço da Agência Estado, os comentários sinalizam que a instituição pode manter o ritmo de alta de 0,50 ponto porcentual da taxa Selic. Uma taxa de juros mais elevada tende a provocar queda do dólar, na medida em que os investidores entram no País em busca de retornos mais elevados, visto que o rendimento dos títulos dos Estados Unidos continuam baixos.

Bolsa. A Bovespa fechou em queda nesta terça-feira, 14, conduzida principalmente pelo fraco desempenho dos papéis de bancos durante o dia e por um movimento de realização de lucros após três dias de ganhos consecutivos. No fim, o Ibovespa caiu 0,48%, aos 53.981,92 pontos. 

No fechamento, as ações do bancos acabaram em direções divergentes, ainda repercutindo a decisão anunciada ontem pela agência de classificação de risco Fitch de revisar para negativa a perspectiva dos ratings do BNDES, da Caixa, do Banco do Brasil, do Bradesco e do Itaú Unibanco. 

A Petrobrás ficou entre os destaques de alta. O conselho da estatal anunciou que vai analisar o balanço auditado em reunião marcada para o próximo dia 22. Petrobrás ON subiu 0,24% e Petrobrás PN, 1,79%.

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