Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Após bater R$ 3,21, dólar vira e fecha em queda; Bolsa ignora protestos e sobe mais de 1%

Receio de que a reforma da Previdência não passe no Congresso ainda preocupa investidor, mas avaliação é de que greve geral não teve grande impacto no mercado financeiro

Silvana Rocha, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2017 | 15h42

O dólar teve forte oscilação nesta sexta-feira, 28, com investidores demonstrando preocupação quanto à greve geral e ao avanço da reforma da Previdência no Congresso. A moeda, que abriu os negócios cotada a R$ 3,1840, avançou durante a manhã e chegou a marcar R$ 3,2142 (+1,02%) por volta das 11h30. Durante a tarde, porém, virou e fechou em queda de 0,10%, a R$ 3,1787.

A Bolsa, por outro lado, operou em alta durante todo o dia, reagindo à safra de balanços, com resultados corporativos mais favoráveis, e a alta das commodities. Ao fim dos negócios, fechou em alta de 1,12%, aos 65.403,24 pontos, na máxima do dia.

AO VIVO Acompanhe a greve geral pelo País

O economista-chefe da Guide Investimentos, Ignácio Crespo, disse que um sentimento de cautela foi retomado porque o primeiro vice-líder do governo na Câmara, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), um dos principais defensores da reforma da Previdência no Congresso, admitiu que não tem votos suficientes para aprovar a reforma da Previdência. 

"Precisamos de uns 30 dias para amadurecer o texto com a base", afirmou Perondi ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. 

PLACAR DA PREVIDÊNCIA Veja a intenção de voto de cada deputado

Crespo acrescentou que não se sabe também ainda qual será o impacto da greve geral sobre as votações do Congresso. O economista destacou ainda que o avanço frente o real contraria a queda do Dollar Index e também em relação a moedas emergentes e ligadas a commodities no exterior em meio á alta de preços das matérias-primas, como petróleo e cobre. 

Segundo ele, os dados ruins do mercado de trabalho brasileiro - fechamento de 1,225 milhão de vagas com carteira assinada no período de um ano e novo patamar recorde de 14,2 milhões de pessoas desempregadas no trimestre encerrado em março de 2017 - não afetam os negócios porque já eram esperados. 

Nas mesas de operação. A greve geral organizada por centrais sindicais nesta sexta-feira não afetou diretamente as mesas de operação e os mercados domésticos tiveram um dia normal de pregão. O volume de negócios no mercado de câmbio foi forte, até mesmo em função da definição da taxa Ptax de fim de mês. Já nos juros e na Bolsa o giro ficou um pouco abaixo do normal, mas participantes citam que isso não se deve à greve, e sim ao feriado prolongado do Dia do Trabalho, que desestimula os players a assumirem grandes posições.

Muitos operadores relataram que não tiveram nenhum problema para chegar nos escritórios na capital paulista, até porque o trânsito fluiu bem, mesmo com a paralisação nos sistemas de ônibus, metrô e trem. "Só não foi trabalhar hoje quem não queria sair de casa mesmo", comenta um operador, lembrando que a Linha 4 - Amarela do Metrô, que atende a zona sudoeste, funcionou normalmente. "A greve esteve no radar dos investidores, mas não teve nenhum impacto significativo", diz Cleber Alessie, da H.Commcor.

Manifestantes chegaram a promover até 20 protesto simultâneos pela manhã, fechando rodovias e avenidas importantes, mas essas ações foram rapidamente dispersadas pelas forças de segurança. Além disso, muitas empresas organizaram esquemas de contingência, com parte dos funcionários não essenciais trabalhando de casa.

"Alguns funcionários trabalharam remotamente e quem usa transporte público veio trabalhar de táxi. A greve não interferiu no ritmo de trabalho", afirma o estrategista da Coinvalores, Paulo Nepomuceno. Ele disse que, pelo fato de hoje ser o último dia para a entrega da declaração do Imposto de Renda, houve um aumento da consulta de clientes, mas o atendimento desta demanda também não foi afetado pela paralisação. O economista-chefe da ModalMais, Álvaro Bandeira, afirma que o movimento foi mais de sindicatos, sem grande adesão popular.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.