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Dólar chega a R$ 2,60, no maior nível desde abril de 2005

Cotação da moeda norte-americana foi novamente influenciada pelas incertezas em relação à equipe econômica do próximo governo

Márcio Rodrigues, Agência Estado

17 de novembro de 2014 | 17h19


O dólar à vista ultrapassou a barreira dos R$ 2,60 nesta segunda-feira, 17. A moeda encerrou o dia com valorização de 0,31%, cotada a R$ 2,602. Esta cotação não era registrada desde 18 de abril de 2005.

Novamente a cotação da moeda norte-americana foi influenciada pelas incertezas em relação à equipe econômica do próximo governo Dilma Rousseff. De volta ao Brasil nesta semana, após a reunião do G-20, Dilma poderá anunciar nomes de sua equipe econômica, conforme comentou antes da viagem.

Essas dúvidas, por sinal, resultaram em mais um pregão de giro baixo para a moeda. O lote maior no leilão do Banco Central para rolagem dos swaps de dezembro e alguns números divulgados nos EUA abriram espaço para a perda de força da moeda americana, sendo que as mesas seguiram especulando sobre quem será o Ministro da Fazenda a partir de 2015.

Pela manhã, a divisa norte-americana tocou na máxima de R$ 2,61, alinhada ao movimento da moeda no exterior, após o Japão entrar em recessão técnica, e também pressionado pelas incertezas que continuaram rondando o mercado em relação às diretrizes econômicas do próximo governo. Depois, contudo, o dólar passou a perder força, de olho na oferta maior de swaps para rolagem dos vencimento de dezembro e em indicadores mais fracos da economia dos EUA.

Os negócios começaram com a notícia de que o PIB japonês teve queda de 1,6% entre julho e setembro, em termos anualizados. O dado frustrou expectativas de economistas, que previam alta de 2,25%. Como a economia havia declinado 7,3% entre abril e junho, o Japão entrou em recessão técnica pelo critério de dois trimestres seguidos de PIB em queda. No fim da manhã, saiu a informação de que o índice Empire State de Atividade em Nova York em novembro subiu para 10,16 em novembro, abaixo da previsão de 10,50. Além disso, a produção industrial dos EUA recuou 0,1% em outubro ante setembro, em termos sazonalmente ajustados. O resultado contrariou a previsão de analistas, de aumento de 0,2%.

Além disso, a inversão de sinal para queda no mercado futuro ocorreu pouco antes do leilão de rolagem do vencimento de swap cambial de dezembro, que hoje teve sua oferta elevada pelo BC para 14 mil contratos (US$ 700 milhões). Se for mantida até o fim do mês, garantirá a rolagem quase integral desse compromisso. Até a última sexta-feira, o BC vinha ofertando 9 mil contratos nessas operações. O BC também colocou 4 mil contratos de swap na sua operação diária, em um total de US$ 197,4 milhões.

À tarde, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) informou que o País teve déficit comercial de US$ 804 milhões na segunda semana de novembro, resultado de exportações no valor de US$ 3,678 bilhões e importações de US$ 4,482 bilhões. No acumulado do mês, há déficit de US$ 1,551 bilhão e, no ano, resultado negativo de US$ 3,422 bilhões. Os dados, contudo, não chegaram a influenciar as cotações.

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