ADEK BERRY/AFP
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Dólar fecha a R$ 4,05 após novo rebaixamento pela S&P

Pessimismo dos investidores também foi causado pela prévia do PIB e pelas cotações do petróleo no mercado internacional; Bolsa teve dia de baixa após subir por quatro pregões seguidos

Paula Dias, O Estado de S.Paulo

18 Fevereiro 2016 | 18h27

O pessimismo dos investidores com o novo rebaixamento da nota de crédito do Brasil, os dados ruins da economia brasileira e o cenário internacional menos favorável levaram o dólar a fechar em alta de 1,66% nesta quinta-feira, 18, cotado a R$ 4,0493. A moeda americana chegou a operar em baixa pela manhã, mas não abandonou a tendência de alta.

O rebaixamento do rating soberano brasileiro promovido na véspera pela Standard & Poor's não chegou a ser uma surpresa para o mercado, dadas as condições deterioradas da economia. 

Mas foi mais uma notícia ruim - reforçada, inclusive, pelos dados do Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br). O indicador, considerado uma espécie de prévia do Produto Interno Bruto (PIB), recuou 4,08% em 2015 ante o ano anterior. O dado ficou dentro das estimativas do mercado, mas confirmou o quadro recessivo do País.

Boa parte da pressão sobre o câmbio veio da influência internacional. O petróleo, que chegou a subir mais de 4% pela manhã, perdeu força à tarde, após a divulgação de dados sobre os estoques de petróleo nos EUA. 

Houve alta de 2,147 milhões de barris na semana passada, menos que os 3,100 milhões esperados. Por outro lado, os estoques de gasolina aumentaram 3,036 milhões, mais que os 200 mil de queda projetados, e os de destilados avançaram 1,399 milhão de barris, ante estimativa de queda de 1,700 milhão. 

O petróleo reagiu com baixa à notícia, o que contribuiu para acelerar a queda das bolsas e a alta com que o dólar já vinha operando. Na máxima do dia, a cotação chegou a R$ 4,0535 (+1,77%). 

No fim da tarde, fatores técnicos também intensificaram a busca por dólares, com profissionais "vendidos" (que apostam na baixa) zerando posições para interromper perdas.

Bolsa. A Bovespa teve uma queda comedida no pregão pós-rebaixamento. O Ibovespa passou a tarde com uma oscilação ao redor de 0,5% de perdas, trabalhando em sintonia com o comportamento das bolsas internacionais. A realização de lucro encontrou a porta de saída em papéis como bancos, que também foram rebaixados, Petrobrás, Vale, entre outros. 

O Ibovespa encerrou o pregão em baixa de 0,37%, aos 41.477,63 pontos, depois de ter subido nos quatro pregões anteriores. Na mínima, marcou 41.183 pontos (-1,07%) e, na máxima, 41.698 pontos (+0,16%). No mês, acumula ganho de 2,65% e, no ano, perda de 4,32%. O giro financeiro totalizou R$ 4,784 bilhões, segundo dados preliminares. 

Analistas não atribuíram o recuo da bolsa ao rebaixamento pela S&P. "Acho que o rating tem valor para o mercado quando o país é investment grade. Quando você já não tem esse selo, que viabiliza principalmente negócios de muitos investidores institucionais, acho que pouco muda", avaliou Hersz Ferman, da Elite Corretora. "Mercado já precificou que estamos piorando, que situação fiscal está pior, então não faz mais preço. Duvido que alguém tome uma decisão baseado na S&P", emendou. 

A seu ver, nem mesmo empresas que tiveram seus ratings reduzidos, na esteira do rating soberano, podem ter a queda da sessão atribuída a essa razão. Um operador também considerou que uma realização é a explicação mais correta, mas ponderou que alguns papéis, como os de bancos, por exemplo, podem ter tido uma parcela da baixa relacionada ao rebaixamento anunciado pela agência de risco. 

Bradesco PN (ações preferenciais) fechou em baixa de 2,03%, Itaú Unibanco PN, 2,03%, BB ON (ações com direito a voto), 3,67% e Santander Unit, 0,43%. 

Vale ON caiu 3,36%, PNA, 2,79%, Petrobrás ON cedeu 2,65% e PN, 1,92%.

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