Dólar chega a superar R$ 2,34, mas fecha a R$ 2,31

Dados de emprego dos EUA impulsionaram alta da moeda norte-americana ante o real, que superou maior cotação desde 5 de setembro

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

08 de novembro de 2013 | 17h21

SÃO PAULO - Os fortes números de geração de empregos nos Estados Unidos em outubro, divulgados nesta sexta-feira, 8, elevaram a leitura de que o Federal Reserve pode começar a reduzir seus estímulos em dezembro. Essa perspectiva de menor liquidez no sistema fez o dólar disparar para acima dos R$ 2,34 em questão de minutos, após ter oscilado na faixa dos R$ 2,29. O dólar à vista no balcão encerrou em alta de 0,39%, aos R$ 2,3150. Esta é a maior cotação de fechamento desde 5 de setembro deste ano, quando atingiu R$ 2,3220.

Na cotação mínima do dia, antes da divulgação do relatório de empregos nos EUA (payroll), a moeda norte-americana chegou a marcar R$ 2,2960 (-0,43%). Neste momento, parte do mercado buscava antecipar um resultado ruim para o payroll e, por isso, vendia moeda no mercado futuro. Quando os dados saíram, mostrando a geração de 204 mil vagas de emprego em outubro, acima da previsão de 120 mil novos postos, o dólar reagiu em alta em todo o mundo e, no Brasil, atingiu a máxima de R$ 2,3440 (+1,65%). Da mínima para a máxima, a moeda oscilou +2,09%. No mercado futuro, o dólar para dezembro subia 0,28%, a R$ 2,3245. 

"Pela manhã, rolava no mercado o comentário de que os dados dos EUA seriam muito ruins, em torno de 30 mil novas vagas. Então, o pessoal vendeu muito dólar, em lotes grandes", comentou um profissional de um banco, que prefere não se identificar. "Quando os números bons saíram, foi preciso zerar posições."

A alta do dólar ante o real era mais intensa que a vista no exterior, onde a moeda americana também subia ante divisas como o dólar australiano e o rand sul-africano. Ao longo da tarde, porém, o dólar reduziu seus ganhos no Brasil, com os investidores em busca de "um preço mais razoável para a moeda". "Muitos stops ocorreram após o payroll, mas agora o real está mais próximo do que é visto no exterior para outras moedas", comentou o profissional do banco, em referência à desaceleração.

João Paulo de Gracia Corrêa, gerente de câmbio da Correparti Corretora, também chamou a atenção para algumas releituras dos dados do payroll, feitas por analistas internacionais. Uma delas é a de que a geração de vagas em outubro foi sustentada, em grande medida, por empregos de meio período, o que pode gerar revisões no futuro. Além disso, o presidente do Federal Reserve de Atlanta, Dennis Lockhart, disse que a política monetária do BC americano precisa permanecer muito acomodatícia por algum tempo. O comentário de Lockhart, que atualmente não tem direito a voto nas decisões de política monetária do Fed, foi no sentido de que os estímulos econômicos devem permanecer por mais tempo.

Assim, a moeda americana aos poucos retornou à faixa dos R$ 2,31 no balcão, em um dia de liquidez mais contida. Perto do fechamento, conforme a clearing de câmbio da BM&FBovespa, o giro à vista somava US$ 882,3 milhões, sendo US$ 678,2 milhões em D+2. No mercado futuro, o giro do dólar para dezembro estava próximo de US$ 16 bilhões.

Tudo o que sabemos sobre:
dólar

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.