Dólar começa negócios em baixa sob desvalorização da moeda no exterior

Após fortes ganhos na quarta-feira, 22, investidores optaram por se desfazer da moeda

Silvana Rocha, da Agência Estado,

23 de maio de 2013 | 09h53

O dólar no mercado à vista abriu a R$ 2,050 no balcão, com queda de 0,05%. O ajuste de baixa inicial alinhou-se à desvalorização da moeda norte-americana no exterior, em meio a um movimento de realização de lucros dos investidores após os fortes ganhos contabilizados na quarta-feira, 22. Até 9h23, a mínima ficou em R$ 2,0480 (-0,15%) e a máxima, a R$ 2,0550 (+0,20%).

No mercado futuro, às 9h24, o contrato de dólar para junho de 2013 estava em alta, a R$ 2,0535 (+0,02%), após começar a sessão a R$ 2,0570 (+0,19%). Até esse horário, esse vencimento da moeda norte-americana oscilou de R$ 2,0515 (-0,07%) a R$ 2,0590 (+0,29%).

O recuo da moeda norte-americana ante o real na abertura também reflete uma contabilização de ganhos, após o dólar à vista fechar ontem a R$ 2,0510 (+0,64%) - maior valor desde 26 de dezembro do ano passado. Com o avanço dessa quarta-feira - o sexto nos últimos sete dias - o dólar acumulou uma valorização de 2,45% em maio e também passou a apurar alta no ano, de 0,29%.

O gerente da Correparti, João Paulo de Gracia Corrêa, destacou mais cedo que poderia haver influência interna da desvalorização do dólar ante euro, o iene e a algumas divisas com forte correlação com commodities, como o dólar canadense e o dólar neozelandês. Às 9h30, o euro subia a US$ 1,2891 após tocar em uma máxima de US$ 1,2913, de US$ 1,2855 no fim da tarde de ontem. O dólar recuava a 101,63 ienes, de 103,14 ienes na véspera.

"Os fracos dados do setor industrial da China divulgados hoje e a percepção deixada ontem pelo presidente do Fed, Ben Bernanke, de que o início da redução de compras de bônus nos EUA não será no curtíssimo prazo, mas em algum momento mais à frente, conduzem uma realização de lucros com o dólar no exterior e também pode estimulou vendas da moeda no começo da sessão no Brasil, afirmou Corrêa.

Além disso, citou Corrêa, o patamar de R$ 2,05 deixa o mercado em alerta para uma possível intervenção do Banco Central, com venda de moeda no mercado futuro. "O BC não vai deixar o dólar ameaçar o controle da inflação interna", prevê. Ele citou ainda a perspectiva de continuidade do fluxo cambial positivo para o País. Em maio até o dia 20, o fluxo cambial está positivo em US$ 8,769 bilhões, com entradas financeiras líquidas de US$ 284 milhões, enquanto o saldo comercial ficou positivo em US$ 8,485 bilhões no período.

Ao longo desta quinta-feira, 23, porém, o dólar poderá reagir a uma série de indicadores que serão divulgados nos Estados Unidos. Entre os quais, às 9h30 o Departamento do Trabalho divulga os pedidos de auxílio-desemprego na semana até 18 de maio (a expectativa é de 345 mil pedidos, ante 360 mil na semana anterior); às 10 horas a Markit anuncia o índice preliminar de atividade dos gerentes de compras (PMI) industrial do mês de maio (o dado final de abril ficou em 52,1), e o FHFA divulga o índice de preços de moradias de Março (a expectativa é de +0,8%, ante +0,7% em fevereiro);às 11 horas o Departamento do Comércio anuncia vendas de moradias novas de Abril (média anualizada), cuja previsão é de 426 mil (em março o dado ficou em 417 mil unidades); e ao meio-dia, o Fed de Kansas City divulga o índice de atividade industrial regional de maio (previsão de 1 ante -5 em abril).

Na quarta-feira, 22, o dólar subiu ante seus principais rivais em âmbito global, após o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, sugerir que as ações para estimular a economia dos EUA podem começar a ser reduzidas em breve. Durante uma audiência no Congresso, Bernanke alertou que um aperto prematuro na política monetária pode frear ou mesmo interromper a recuperação econômica, mas também condicionou a redução das compras de bônus nos próximos meses a uma melhora consistente dos indicadores. Segundo ele, isso vai depender de uma melhora substancial nas projeções para o mercado de trabalho - que ainda está "frágil" - e para a inflação, que está "um pouco baixa demais", perto de 1%.

Em reação, por exemplo, o dólar norte-americano tocou o maior nível desde setembro de 2008 ante o iene "A ata da última reunião do Fed também não deixou claro qual seria esse possível momento para o começo da retirada desses estímulos", comentou o gerente da Correparti.

Também favoreceu a realização de lucros na abertura do câmbio doméstico um discurso hoje em Londres do presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, que é membro votante do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). Bullard reafirmou sua defesa de que o banco central dos EUA deve manter o programa atual, ajustando as compras de ativos conforme o necessário.

Para ele, a política de relaxamento quantitativo do Federal Reserve, que envolve compras mensais de US$ 85 bilhões em bônus, é a forma mais eficiente de prover estímulo monetário adicional quando as taxas de juros estão próximas de zero. Seu discurso está em linha com a parcela de membros do Fed que é a favor da manutenção dos estímulos à economia, como destacou ontem o presidente do Fed, Ben Bernanke, de que há divisão de opiniões entre os dirigentes da autoridade monetária.

Na China, a leitura preliminar do índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria medido pelo HSBC ficou em 49,6 em maio, o nível mais baixo em sete meses. Acima da marca de 50, o dado indica expansão em relação ao mês anterior, no entanto um resultado abaixo disso aponta contração. Nesta quinta-feira, 23, à noite, às 22h35, será divulgado na China o Índice de Sentimento das Empresas da MNI (preliminar).

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