Dólar começa o dia em baixa de 0,14%, a R$ 2,185

O dólar abriu em baixa de 0,14% no pregão viva-voz da Bolsa de Mercadorias & Futuros, negociado a R$ 2,185. Até o meio-dia, o mercado deve operar de lado, enquanto espera o resultado da reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN). No encontro, será definida a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para o segundo trimestre - taxa utilizada principalmente nos empréstimos do BNDES ao setor produtivo. Hoje a TJLP é de 9% e em quanto ela será reduzida é a questão fundamental para o mercado avaliar o que vai ser a gestão de Guido Mantega à frente do Ministério da Fazenda. Mas o que deve ter mesmo mais peso no mercado de câmbio hoje é a formação da Ptax (média do dólar pelo Banco Central), que será usada para liquidar os contratos futuros de abril negociados na BM&F. Segundo um operador, os vendidos (investidores que apostam na queda do dólar) estão com mais força e devem confirmar novamente hoje cotações mais baixas para a rolagem de dólar futuro na BM&F, como já ocorreu ontem. Os juros dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries) neste início da manhã corroboram a tendência de queda do dólar no mercado doméstico verificada ontem. O título de 10 anos registrava, perto das 9 horas, baixa de 0,08%, a 4,8543%. O preço do barril do petróleo cru operava em queda nesta manhã, de 0,64%, a US$ 66,72 na Nymex eletrônica, em Nova York. Com a Ptax no horizonte, outros dados serão minimizados no câmbio, como a repercussão da montagem da equipe de Guido Mantega, embora as notícias sejam positivas, com destaque para a permanência de Afonso Bevilaqua no BC, a escolha de Carlos Kawall para a Secretaria do Tesouro Nacional (no lugar de Joaquim Levy) e Bernard Appy para a Secretaria Executiva do Ministério da Fazenda, em substituição a Murilo Portugal. Os outros nomes da equipe só devem ser conhecidos na próxima semana. De volta ao CMN, vale lembrar que, enquanto era presidente do BNDES, Mantega foi um crítico das altas taxas de juros e chegou a defender uma TJLP de 7%. Para o mercado, entretanto, reduzir a taxa em dois pontos percentuais pode ser um sinal de que a política econômica de seu antecessor Antonio Palocci deixou de ser seguida, e o sinal de alerta seria aceso. As opiniões, entretanto, divergem. Para um operador ouvido pela Agência Estado, uma redução como a defendida por Mantega no passado não significa que a economia perderia a rédea. "A TJLP a 7% acalma uma parte da indústria e não afeta diretamente o Banco Central, o responsável pela taxa Selic. Não cria problemas para o BC", justificou ele, ao arriscar que o corte mais robusto "seria até bom, porque mostraria que Mantega conhece as demandas do empresariado, já que veio do BNDES, e deixa para o Meirelles (presidente do BC, Henrique Meirelles) a decisão sobre a Selic". É preciso lembrar que são três votos que definem a TJLP na reunião do CMN. Além de Mantega, votam o presidente do BC, Henrique Meirelles, e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, os dois últimos considerados conservadores e que tendem a conter a queda.

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