Dólar começa o dia negociado a R$ 2,115

A taxa de câmbio abriu em ligeira alta (0,09%, a R$ 2,115 por dólar) no pregão viva-voz da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), depois da queda de 0,38% registrada ontem no fechamento dos negócios. O dólar no câmbio doméstico é pressionado pelo mercado externo, principalmente por causa do petróleo e dos juros em alta dos títulos americanos. Favorece também a alta, segundo profissionais do mercado, as remessas de dividendos ao exterior com mais intensidade nesta semana, realizadas por empresas multinacionais instaladas no Brasil. Por outro lado, a aproximação da virada do mês e conseqüente vencimento dos contratos futuros de maio negociados na BM&F abre espaço para uma disputa entre "comprados" (que apostam na alta do dólar) e "vendidos" (que embolsam lucros se o dólar cair). Boa parte dos investidores estaria posicionada na venda, ou seja, apostando na queda da moeda. Alguns dados divulgados serão observados atentamente pelo mercado hoje. Dos EUA, terão atenção o índice de confiança do consumidor (projeção de 106 em abril ante 107,2 em março) e o indicador de vendas de imóveis residenciais usados em março (estimativa de queda de 3%, após um aumento de 5,2% em fevereiro). Ambos serão anunciados às 11 horas. Para os investidores, estes resultados interessam porque dão indícios de como se comporta a economia norte-americana. Internamente, será conhecido o resultado das contas do governo central relativo ao mês de março, uma indicação do que sairá dos dados do setor público consolidado, a serem anunciados amanhã. Os números do governo central são as entradas e saídas do Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social. Analistas ouvidos nos últimos dias temem que o governo tenha gastado muito neste início de ano, comprometendo a meta de superávit primário (economia para pagamento de parte dos juros da dívida pública). Outros, por outro lado, justificam que mesmo que isso tenha ocorrido, é o caminho ?natural? percorrido em anos eleitorais, quando os gastos diminuem no segundo semestre. Ou seja, gastos maiores neste princípio de ano não significariam descumprimento da meta. Este dado, no entanto, interessa mais ao mercado de juros. ?Dependendo do cenário externo, entretanto, ele também pode refletir no câmbio, se azedar o humor?, explica um operador. O preço do petróleo, depois de algumas semanas de relativa estabilidade próximo de US$ 60 o barril, voltou ao foco após sucessivos recordes de alta, superando US$ 75 o barril. Estes aumentos têm impacto direto sobre os preços e, conseqüentemente, sobre os índices de inflação. E estes indicadores são lidos pelo Federal Reserve (banco central dos EUA) para definir sua taxa de juros e política monetária.

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