Dólar começa os negócios em alta, cotado a R$ 2,1830

Moeda norte-americana fanha força refletindo o otimismo de que um acordo para evitar o default dos EUA

Luciana Antonello Xavier, da Agência Estado,

15 de outubro de 2013 | 09h32

O dólar abriu em alta ante o real no mercado à vista, na esteira do movimento observado no exterior, onde a moeda americana se fortalece diante da possibilidade de fim do impasse fiscal dos Estados Unidos. No mercado futuro, no entanto, o dólar para novembro mostrava desaceleração em relação à abertura.

Às 9h21, o dólar no balcão subia 0,37%, a R$ 2,1830, na mínima. O dólar futuro para novembro desacelera e operava estável, a R$ 2,1915, após atingir a máxima de R$ 2,1945 (+0,14%).

O dólar ganha força ante as principais divisas nesta terça-feira, 15, refletindo o otimismo de que um acordo para evitar o default dos EUA esteja próximo. No Brasil, os investidores também seguem atentos aos próximos passos do Banco Central em relação às intervenções diárias no câmbio. "O mercado espera agora por alguma sinalização do BC sobre possível mudança no programa de leilões, comentou hoje um operador de tesouraria de banco.

O desfecho feliz para os EUA deve acontecer na reta final para o teto da dívida do país ser atingido, no dia 17, e na terceira semana de paralisação parcial do governo americano. O líder da maioria no Senado dos EUA, o democrata Harry Reid, e o líder da bancada republicana na Casa, Mitch McConnell, disseram ontem estarem "otimistas" com a possibilidade de acordo. "Chegaremos a um resultado que seja aceitável para os dois lados", disse McConnell. Ambos tentam chegar a um acordo para elevar o teto da dívida até 15 de fevereiro e reabrir o governo até 15 de janeiro. O pacote também exigiria que as negociações orçamentárias na Câmara e no Senado sejam concluídas até 15 de dezembro.

O dólar tentou ficar no terreno positivo na segunda-feira, 14, após a notícia de que o BC poderá rolar apenas parte dos US$ 8,9 bilhões em contratos de swap cambial que vencem em 1º de novembro, o que foi entendido como uma sinalização de que o BC pode ser menos agressivo nas suas atuações no câmbio daqui para frente. Mas a notícia não foi negada nem confirmada pelo BC e o dólar à vista voltou a cair e fechou na menor cotação desde 17 de junho, a R$ 2,1750 (-0,23%). No mercado futuro, o dólar para novembro terminou cotado a R$ 2,1915, com alta de 0,30%.

Segundo economistas da LCA, se o dólar recuar "muito fortemente, o BC poderá vender menos swap cambial em relação ao que fez recentemente". "Nossos estudos internos mostram que a taxa cambial que melhor reflete os seus fundamentos estaria em torno de R$/US$ 2,25", avaliam.

Hoje, o BC faz mais um leilão de swap cambial tradicional, que equivale à venda de moeda no mercado futuro, com oferta de até 10 mil contratos (US$ 500 milhões) para 5 de março de 2014. A operação será das 9h30 às 9h40 e o resultado sai a partir das 9h50.

No lado positivo para o Brasil, veio o resultado da balança comercial brasileira na segunda semana de outubro, que registrou superávit de US$ 718 milhões. Com o desempenho da segunda semana de outubro, a balança acumula no mês superávit de US$ 2,572 bilhões. No ano, o saldo comercial é positivo em US$ 964 milhões.

O yuan chinês teve alta recorde nesta terça-feira, refletindo o enfraquecimento global do dólar. O dólar fechou a 6,1026 yuans, abaixo de 6,1079 yuans na segunda-feira, depois que o Banco Central da China fixou o par em 6,1412 yuans por dólar.

Na Europa, de positivo tem a notícia de que o índice de expectativas econômicas na Alemanha medido pelo instituto ZEW, que é uma sinalização do sentimento do investidor para os próximos seis meses, subiu para 52,8 em outubro, de 49,6 em setembro, superando a expectativa de manutenção em 49,6. Mesmo assim, prevalece a força do dólar ante o euro hoje por causa da esperança de uma saída para a questão fiscal nos EUA.

Às 8h28, o euro caía a US$ 1,3493, de US$ 1,3560 no fim da tarde de segunda-feira, 14. O dólar caía a 98,53 ienes, de 98,59 ienes no fim da tarde de ontem. O dólar subia a 0,9164 franco suíço, de 0,9105 no fim da tarde de ontem. O Dollar Index (DXY) subia 0,45%, a 80,628.

O dólar subia ante a maioria das moedas emergentes e ligadas a commodities: dólar australiano (-0,32%); dólar canadense (+0,07%); dólar neozelandês (-0,18%); peso chileno (+0,25%); rand sul-africano (+0,41%); rupia indiana (+0,50%); rublo russo (0%); peso mexicano (+0,07%); lira turca (+0,32%).

Em tempo: A Coreia do Sul quer reduzir o uso de dólares no comércio internacional, à medida que crescem as preocupações com a moeda por causa da paralisação parcial do governo dos EUA e da potencial crise de dívida norte-americana.

Tudo o que sabemos sobre:
dólarEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.