Dólar comercial abre em alta de 0,12%, a R$ 1,711

Às 10h31, a divisa registrava leve alta de 0,06% a R$ 1,71

Cristina Canas, da Agência Estado,

28 de setembro de 2010 | 10h23

O dólar comercial abriu o dia em alta de 0,12%, negociado a R$ 1,711 no mercado interbancário de câmbio. No pregão de ontem, a moeda norte-americana fechou em baixa de 0,12%, cotada a R$ 1,709. Às 10h31, a divisa registrava leve alta de 0,06% a R$ 1,71. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar com liquidação à vista abriu as negociações em alta de 0,21%, a R$ 1,712.

A operação de capitalização da Petrobrás passou, mas a taxa de câmbio continua sendo uma preocupação para as autoridades econômicas e os analistas. Ontem, em Londres, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, colocou em palavras o que já está sendo visto pelos investidores: "Agora há uma lista de empresas vindo a mercado".

Do dia 23 (quando a Petrobrás encerrou a captação) para cá, já concluíram ou estão em processo de captação a Gerdau (US$ 1,250 bilhão), a Braskem (US$ 450 milhões), a Votorantim (US$ 500 milhões) e a BR Properties (US$ 300 milhões), em um total de US$ 2,5 bilhões. Este valor se somará aos US$ 6,3 bilhões conseguidos pela iniciativa privada na primeira quinzena do mês.

Enquanto Meirelles chamava a atenção para as entradas de dólares em evento no exterior, no Brasil o BC abandonava a rotina de dois leilões diários de compra da moeda americana no mercado à vista, que havia adotado desde o dia 8, em função da entrada de recursos decorrente da capitalização da Petrobras. Ainda assim, os cálculos do mercado, hoje de manhã, eram de que cerca de US$ 700 milhões foram adquiridos pela autoridade monetária ao fim do pregão de ontem.

Isso deixa o mercado doméstico de câmbio no mesmo ponto em que estava até a semana passada: a perspectiva de fluxo positivo aponta a queda do dólar ante o real, se no exterior nada tiver força para inverter a trajetória. Permanece ainda a ideia de que o governo segue atento ao fluxo, disposto a intervir pesadamente se for necessário. Por isso, momentos de ajuste não são descartados.

Até porque ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, falou da questão cambial e reiterou a intenção do governo de enxugar o excesso de dólares do mercado e evitar a sobrevalorização do real. Mantega, que nesta ontem esteve na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), disse ainda que a desvalorização do dólar é uma preocupação legítima da indústria brasileira.

O ministro associou a problemática do câmbio ao cenário internacional e disse que o mundo está enfrentando uma guerra comercial e cambial com os países desenvolvidos, que permitem o enfraquecimento de suas moedas para conquistar mercados como o brasileiro, onde há crescimento econômico. Hoje, o Financial Times elogia o ministro e diz que ele teve coragem de admitir o que muitos políticos vêm comentando privadamente: que um número crescente de países vê a fraqueza do câmbio como uma forma de estimular suas economias.

Vale lembrar que o Brasil já vem tentando incluir a temática do câmbio nas discussões econômicas mundiais há tempos, sem muito sucesso. Porém, os comentários de Mantega são mais oportunos do que nunca, já que ressurgem após uma série de intervenções realizadas pelos bancos centrais do Japão, da Coreia do Sul e de Taiwan, por exemplo.

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