Dólar comercial abre em alta de 2,01% a R$ 1,874

Real sofreu mais do que o euro ontem e começa o dia repetindo demonstrações de fragilidade maior

Cristina Canas, da Agência Estado,

20 de maio de 2010 | 10h12

O dólar comercial abriu em alta de 2,01% as negociações de hoje no mercado interbancário de câmbio, cotado a R$ 1,874. O real sofreu mais do que o euro ontem e começa o dia de hoje repetindo demonstrações de fragilidade maior. Segundo operadores, a despeito da maior resistência da moeda única, hoje, o peso da crise europeia não atinge somente a moeda brasileira. Outras emergentes seguem o mesmo caminho. O único comentário dos mercados que ganhou força esta manhã refere-se à possibilidade de que as medidas de controle adotadas na Alemanha sejam estendidas a outros países.

Um operador destacou que o mercado doméstico está fazendo, agora, o ajuste que resistiu a realizar, mas deveria ter levado à pratica anteriormente. Segundo esse profissional do mercado, existem cálculos segundo os quais se o euro estacionar nos níveis atuais, o dólar, aqui, teria de ir para a casa de R$ 1,90. Mas até ontem o conjunto das análises dos economistas do mercado não corroborava essa percepção, embora a cada dia aumentem os comentários sobre possíveis impactos negativos do cenário externo na economia nacional.

Um fator que balizou a resistência anterior do mercado doméstico em ajustar o dólar para cima foi a perspectiva de fluxo positivo para o País. E, agora, essas expectativas estão enfraquecendo. Ontem, os dados do BC confirmaram o que o mercado já começava a vislumbrar: o agravamento da crise europeia e a percepção de que a região mergulhará numa segunda onda de recessão estão inibindo o ingresso de recursos no Brasil. Na segunda semana de maio, o fluxo cambial foi negativo em US$ 974,5 milhões, depois de ter registrado entrada líquida de US$ 3,711 bilhões na primeira semana do mês, ainda sob influência das captações elevadas de abril, quando o cenário externo era favorável.

O peso maior foi do fluxo comercial, negativo em US$ 677,2 milhões, refletindo o fato de os exportadores terem antecipado fortemente suas operações na primeira semana do mês, quando as cotações do dólar dispararam. Mas merece atenção a reversão do segmento financeiro, que saiu de uma entrada líquida de US$ 1,078 bilhão para uma saída de US$ 297,3 milhões da primeira para a segunda semana de maio. Em abril, a conta financeira tinha trazido quase US$ 2,9 bilhões para o País.

Ainda assim, o mercado não debandou para o pessimismo para o médio e longo prazos. Embora acreditem que as exportações e os Investimentos Estrangeiros Diretos possam piorar se a crise europeia se estender, os analistas querem avaliar melhor o desenrolar dos problemas do Velho Continente e suas consequências para refazer cálculos de fluxo e taxas. Por enquanto, uma dose de cautela a mais está nas mesas de operações, que devem continuar suscetíveis aos vaivéns internacionais.

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