Dólar comercial abre em baixa de 0,48%, a R$ 1,675

Determinação de ministros europeus de não aumentar o poder de fogo da linha de estabilidade financeira europeia impulsiona alta do euro e dá fôlego também ao real

Cristina Canas, da Agência Estado,

18 de janeiro de 2011 | 10h11

O dólar comercial abriu o dia em queda de 0,48%, negociado a R$ 1,675 no mercado interbancário de câmbio. Às 10h28, a divisa cedia 0,65%, a R$ 1,672, na mínima. No pregão de ontem, a moeda americana recuou 0,18% e foi cotada a R$ 1,683 no fechamento. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar à vista abriu em queda de 0,49%, a R$ 1,6737.

A despeito da determinação dos ministros europeus reunidos em Bruxelas de não aumentar o poder de fogo da linha de estabilidade financeira europeia (EFSF), os mercados exibem farto otimismo na manhã de hoje. Isso impulsiona o euro, que está sendo cotado acima de US$ 1,34, e dá fôlego também às moedas de maior risco, entre elas o real.

Embora no Brasil os especialistas ainda não tenham muita certeza a respeito dos motivos que sustentam o bom humor dos mercados, eles citam uma somatória de fatores na Europa. Entre ontem e hoje ocorreram vários leilões de bônus bem-sucedidos em países que estão no olho do furacão da crise das dívidas - como Espanha, Grécia, Bélgica e Hungria. Esses países conseguiram, inclusive, pagar juros iguais ou inferiores aos determinados em leilões anteriores.

Além disso, os jornais internacionais comentam a perspectiva, cada vez mais forte, de que a primeira colocação de papéis da EFSF, prevista para a próxima semana, será um sucesso. O Japão declarou na semana passada que pretende adquirir 20% da oferta e outros países, ainda que mais discretamente, têm feito comentários no mesmo sentido desde então.

Também estariam pesando favoravelmente declarações dadas ontem pelo presidente do Eurogrupo, Jean Claude Juncker, que elogiou programas fiscais de países em crise, dizendo que as medidas tomadas até agora "funcionam, em particular as tomadas em Portugal e Espanha". Ele disse ainda que as medidas "parecem ter sido muito úteis para reduzir o risco em investir na dívida destes países".

Diante desses fatores, alguns analistas começam a ver como positivo o fato de a EFSF não ter sido turbinada pelos dirigentes europeus até o momento. Seria um sinal de que a real solução - o ajuste fiscal - está sendo colocada em prática e vai ser exigida.

No Brasil, o mercado vai ficar monitorando o tamanho do recuo do dólar ante o real, enquanto mantém um olho sobre as movimentações do governo e do Banco Central (BC). O temor de novas medidas cambiais continua como um fator determinante para o comportamento do câmbio.

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