Dólar comercial abre em queda de 0,76%, R$ 1,564

O dólar comercial abriu o dia em queda de 0,76%, negociado a R$ 1,564 no mercado interbancário de câmbio. No pregão de ontem, a moeda americana recuou 0,88% e foi cotada a R$ 1,576 no fechamento. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar à vista abriu em queda de 0,86%, a R$ 1,5635.

CRISTINA CANAS, Agencia Estado

20 de abril de 2011 | 14h54

O sucesso dos leilões de títulos na Espanha e Portugal dá fôlego ao euro e abre espaço para que as moedas emergentes ganhem valor na manhã de hoje. Os balanços favoráveis das empresas norte-americanas também colaboram para um ambiente favorável à tomada de risco e contribuem para acentuar a desvalorização do dólar.

O Tesouro espanhol vendeu 3,372 bilhões de euros em títulos soberanos de 10 e 13 anos. O montante final ficou perto do teto do intervalo previsto pelo governo da Espanha, que esperava vender entre 2,5 bilhões e 3,5 bilhões de euros. A melhor da notícia é que a relação entre oferta e demanda ficou acima de duas vezes, tanto para os vencimentos em 2021 quanto os para 2024. O contraponto é o custo, que subiu por conta do temor de contágio da crise das dívidas. Mas isso já era previsto.

Em Portugal, a venda atingiu o volume máximo planejado pelo governo. O país vendeu 1 bilhão de euros em bônus de três e seis meses e, em ambos os vencimentos, a relação entre oferta e demanda cresceu. O juro também ficou acima da última operação similar. Ainda assim, o mercado recebe bem o resultado.

O contraponto à influência externa para a queda do dólar ante o real é doméstico. Hoje, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, disse que o real deverá permanecer valorizado nos próximos anos, mas afirmou que o patamar atual está acima do ideal, pois prejudica a produção nacional e retira competitividade das mercadorias brasileiras. Ele acrescentou que o governo continuará combatendo a valorização excessiva da moeda e arrematou: "não posso dizer quais, porque não é a minha área, mas novas medidas serão adotadas pelo governo". Ao mesmo tempo, surgiu a informação de que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, alterou a agenda de hoje para uma reunião com a presidente Dilma.

"As declarações de Pimentel não são exatamente uma novidade, pois o mercado sabe que o governo e o BC têm medidas cambiais preparadas, mas com um feriado pela frente os investidores devem evitar posições vendidas fortes e pode haver um movimento comprador, mais para o final do pregão", arriscou um profissional de mercado.

Quanto às expectativas para o resultado da reunião de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom), o mercado de câmbio não espera interferências diretas. A avaliação é de que as apostas devem seguir divididas entre um corte de 0,25 e 0,50 ponto porcentual, mas com grande vantagem para o resultado mais ameno. "Os canais de comunicação do BC com o mercado sinalizam a opção por uma política de juros mais branda, completada por medidas macroprudenciais, se necessário", disse um operador.

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