Dólar comercial abre estável a R$ 1,714

Avaliação dos especialistas é de que esse jogo deve durar pelo menos até que a capitalização da Petrobrás saia do radar das mesas de operações

Cristina Canas, da Agência Estado,

17 de setembro de 2010 | 09h57

O dólar comercial abriu o dia estável, negociado a R$ 1,714 no mercado interbancário de câmbio, a mesma cotação do fechamento de ontem, quando a moeda recuou 0,70%. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar com liquidação à vista abriu as negociações em queda de 0,09%, a R$ 1,717.

O mercado de câmbio começa o dia ameaçando virar as costas para o cenário externo em resposta aos renovados avisos do governo de que está pronto para intervir mais pesadamente para evitar valorizações ainda maiores do real. Embora os avisos do governo já durem meses - a primeira vez ocorreu no fim de julho, quando o Banco Central (BC) fez uma pesquisa de demanda por contratos de swap cambial reverso -, eles ainda estão surtindo efeito. Até porque, em setembro, os avisos têm sido praticamente diários e vieram acompanhados de uma medida efetiva, que foi a criação de uma nova rotina de leilões de compra de dólares no mercado à vista, com duas operações diárias.

De ontem para hoje, surgiu a ideia de que os leilões podem ser em maior número, ocorrendo repetidamente no decorrer do pregão, como fez o Japão na última quarta-feira. Ao que parece, embora parte do mercado desconfie da execução dessa estratégia, os operadores não estão dispostos a desafiar o governo. Provavelmente porque já estão demasiadamente expostos ao dólar para arriscar ainda mais. Vale lembrar que, no fim do ano passado, em meados de outubro, quando o dólar caiu abaixo de R$ 1,70, o governo agiu: aplicou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para entradas de capital estrangeiro. Ainda que momentaneamente, a medida segurou a cotação do dólar.

A avaliação dos especialistas é de que esse jogo deve durar pelo menos até que a capitalização da Petrobrás saia do radar das mesas de operações. De acordo com o aviso ao mercado da Petrobras, a data da liquidação das ações da oferta global será em 29 de setembro. O prazo para exercício da opção de ações suplementares começa em 24 de setembro, com encerramento em 25 de outubro. A liquidação desses papéis tem como data máxima 29 de outubro.

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