Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Dólar comercial avança 1,03% sob influência de corrida eleitoral

Perspectivas de subida da presidente Dilma Rousseff nas intenções de voto levaram a cotação da moeda americana para R$ 2,27

Fabrício de Castro, Agência Estado

08 de setembro de 2014 | 17h04


Rumores sobre os rumos da corrida eleitoral novamente tomaram conta das mesas de operação nesta segunda-feira. Embora as pesquisas mais recentes mostrem Marina Silva (PSB) e Dilma Rousseff (PT) tecnicamente empatadas no primeiro turno, com vantagem para a ex-senadora na projeção de segundo turno, nesta segunda-feira, 8, o mercado especulava que a presidente teria recuperado terreno. A perspectiva de que Dilma possa vencer deu força ao dólar, em um movimento ajudado ainda pelo cenário externo. 

O dólar à vista negociado no balcão fechou em alta de 1,03%, aos R$ 2,2660. A moeda operou em alta praticamente durante todo o dia, tendo oscilado entre a mínima de R$ 2,2430 (estável ante o fechamento de sexta-feira) e a máxima de R$ 2,2720 (+1,29%), vista durante a tarde. Há pouco, o dólar para outubro tinha alta de 0,93%, aos R$ 2,2790.  

Pela manhã, os leilões de swap do Banco Central (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro) contribuíram para segurar as cotações, mas o dólar sustentava ganhos em função do viés de alta vindo do exterior e das incertezas em relação à disputa eleitoral. Lá fora, a segunda queda consecutiva das importações da China em agosto, as trocas de ameaças de novas retaliações entre União Europeia e a Rússia, além das incertezas relacionadas ao resultado do plebiscito sobre a independência da Escócia, que ocorrerá em dez dias, estimularam as compras de dólar.

No Brasil, os investidores reagiam ainda à reportagem da revista Veja, publicada no fim de semana, em que o ex-diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras Paulo Roberto Costa acusa ministros, senadores, governadores e deputados envolvidos na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Preso em março pela Polícia Federal, Costa citou em depoimentos de delação premiada nomes como os dos presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), além do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA).

Como o BC fez nesta segunda-feir,a 8, duas operações de swap - uma de seu programa diário e outra dando início à rolagem dos contratos que vencem em outubro -, o dólar subiu de forma mais contida pela manhã. Nas operações, o BC vendeu 4 mil contratos (US$ 197,9 milhões) e 6 mil contratos (US$ 296,5 milhões), respectivamente. 

À tarde, com os efeitos dos leilões reduzidos, o mercado teve espaço para especular sobre as eleições. Isso jogou o dólar à vista para a faixa de R$ 2,27 em alguns momentos, sendo que os números mais recentes da balança comercial contribuíram para o movimento. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) informou que o País teve déficit comercial de US$ 771 milhões na primeira semana de setembro, o que levou o resultado anual acumulado novamente para o negativo (-US$ 524 milhões). 

O giro à vista, no entanto, foi contido, de apenas US$ 814,2 milhões perto das 16h30. No mercado futuro, a moeda para outubro, que fecha apenas às 18 horas, movimentava cerca de US$ 15 bilhões. 

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