Dólar comercial cai, com ajustes frente ao real

De acordo com analista, não há vetor doméstico importante para remodelar a direção do câmbio hoje

Patrícia Lara, da Agência Estado,

19 de julho de 2011 | 10h17

O dólar comercial abriu hoje em queda de 0,51%, a R$ 1,571, no mercado interbancário de câmbio. Às 10h16, a moeda norte-americana era negociada em baixa de 0,57%, a R$ 1,57. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar negociado à vista cedia 0,51%, a R$ 1,57. O euro comercial, em queda de 0,13%, valia R$ 2,222.

O dólar deve ingressar em um movimento de ajuste em baixa frente ao real, devolvendo parte dos ganhos computados na sessão anterior, diante da melhor configuração do cenário externo. O balanço e previsões fortes da norte-americana IBM, apresentados ontem, expectativas favoráveis para o resultado que a Apple divulga hoje e um otimismo sobre um acordo em relação às dívidas da Grécia e dos EUA trazem alívio pontual, o que se traduz em pressão para o dólar ante várias moedas. Mas o euro, que chegou a superar US$ 1,42 mais cedo, teve a recuperação freada pela desconfiança persistente de que haverá de fato um desfecho positivo para a crise grega.

"O dólar pode testar R$ 1,57 hoje, com o ambiente externo melhor lá fora. E o mercado já está colocando no preço mais fluxo de entrada com a elevação dos juros aqui", comentou um executivo da mesa de câmbio de uma seguradora estrangeira com negócios amplos no Brasil.

Para essa fonte, não há vetor doméstico importante para remodelar a direção do câmbio hoje. No entanto, o IBGE divulgou hoje que a taxa de desemprego caiu para 6,2% em junho, de 6,4% em maio, e a renda média real aumentou 0,5% em igual comparativo. O mercado de câmbio continua prevendo que o fluxo se manterá positivo, diante da expectativa de alargamento do diferencial de juros doméstico e externo, após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de amanhã. A previsão é de novo aumento da taxa Selic (juro básico da economia) de 0,25 ponto porcentual. Mas uma potencial sinalização de parada técnica no ciclo de aperto monetário pode criar alguma reação mais importante nas cotações.

No exterior, o membro do conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE), Ewald Nowotny, indicou que o banco central pode aceitar algumas ideias para solucionar a crise de dívida da Grécia, incluindo a de um "default seletivo" (moratória seletiva). Mas o clima melhor era acalentado sobretudo pela América corporativa.

A IBM anunciou ontem que seu lucro operacional anual pode chegar a US$ 13,25 por ação, 10 centavos acima da estimativa traçada em janeiro. No segundo trimestre, a Big Blue lucrou US$ 3,66 bilhões, ou US$ 3 por ação, de US$ 3,39 bilhões em igual período de 2011. A companhia informou que assinou contratos de serviço - uma indicação de demanda futura - de US$ 14,3 bilhões no trimestre, um crescimento de 16% ante mesmo intervalo anterior.

Hoje o Bank of NY Mellon informou aumento de 12% no lucro do segundo trimestre, impulsionado pela receita líquida de juros e tarifas. O Bank of America anunciou prejuízo de US$ 0,90 por ação no segundo trimestre, o que era considerado em linha com as expectativas, na medida em que o banco ainda lida com as baixas contábeis herdadas da Countrywide. Ainda hoje, a Apple apresenta seus números fortificados pelo sucesso do iPad.

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