Dólar dá trégua e fecha em queda de 0,45%, cotado a R$ 3,10

Após seis altas seguidas, moeda norte-americana tem leve recuo ante o real, na contramão do movimento observado no exterior

Clarissa Mangueira, O Estado de S. Paulo

10 de março de 2015 | 09h10

(Texto atualizado às 17h)

SÃO PAULO - A alta de mais de 9% acumulada pelo dólar no início de março desencadeou uma realização de lucros nesta terça-feira. O dólar fechou o pregão em queda ante o real, contrariando o avanço registrado ante outras divisas internacionais diante das expectativas de que os juros dos EUA devem ser elevados já no meio deste ano. O declínio do dólar aliviou a pressão sobre as taxas de juros futuras, que também terminaram o dia em baixa.

O dólar à vista fechou com queda de 0,45%, aos R$ 3,109. Em março, a divisa ainda acumula alta de 8,8%. Já em 2015, a valorização é de 17,1%.  

O dólar abriu a sessão em alta, alinhado ao desempenho ante outras divisas no exterior, caminhando para registrar sua sétima sessão de ganhos consecutiva. Na máxima, chegou a atingir R$ 3,168. No entanto, um movimento de realização de lucros, depois de ter fechado nesta segunda-feira no maior nível desde o fim de junho de 2004 e acumulado alta de 10,92% nas seis sessões anteriores, acabou puxando a moeda para território negativo ainda pela manhã.

No decorrer do pregão, o dólar teve uma negociação volátil, mas se firmou em baixa na volta do almoço, renovando mínimas seguidas logo depois. Naquele momento, operadores também atribuíram a queda do desempenho do dólar ao ajuste observado desde cedo e a uma antecipação a alguma possível ação do Banco Central, como a eventual ampliação da rolagem dos swaps que vencem em abril.

Hoje, o Banco Central vendeu os 2 mil contratos de swap cambial ofertados na operação diária, para os dois vencimentos, totalizando US$ 97,9 milhões. Na oferta para rolagem, a instituição vendeu 7,4 mil contratos de swap cambial ofertados com liquidação em 1º de abril de 2015. O valor total da operação foi de US$ 354,1 milhões.

Porém, declarações feitas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sobre o câmbio reforçaram a percepção de intervenção menor neste mercado e alimentaram as grandes incógnitas sobre a inflação. Em entrevista por e-mail ao jornal O Globo, o ministro disse que a recente valorização do dólar é resultado de um fenômeno mundial e que a volatilidade cambial dos últimos dias não deve ser repassada à inflação. 

Quanto à necessidade do ajuste fiscal, Levy afirmou que "a grande maioria das pessoas entende que sem o equilíbrio fiscal não vamos crescer". Levy ressaltou ainda que para que haja retomada do crescimento econômico, o ajuste fiscal "tem que ser rápido".

Levy disse ainda, nesta terça-feira, depois de se reunir com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que o governo deve aceitar a proposta de escalonar o reajuste na tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), um dos pontos centrais do ajuste fiscal implantado pela equipe econômica. O ministro disse acreditar que o governo e o Congresso encontraram "um encaminhamento" para o assunto.

A ideia da proposta é que seja conferida uma correção maior na tabela para as faixas salariais mais baixas. Para quem ganha mais, o reajuste seria aquele defendido originalmente pela equipe econômica, de 4,5%, que é o centro da meta de inflação. Questionado, o ministro diz que o governo vai se esforçar para tentar um reajuste de 6,5% para as faixas de menor renda, mas não deu detalhes do escalonamento das correções em cada uma das faixas de contribuições.

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