Dólar deve andar de lado ao sabor do noticiário

Promessa do governo de impedir valorização do real deve moderar tendência de queda do dólar no mercado externo

Cristina Canas, Agencia Estado

23 de março de 2012 | 10h19

O dólar sofre um ajuste de baixa no mercado internacional, mas diante das renovadas promessas feitas pelo ministro da Fazenda Guido Mantega, de impedir a valorização do real, a trajetória doméstica da moeda norte-americana ante o real deve ser mais contida, pelo menos na abertura, enquanto não há novidades. Desta vez, a promessa de Mantega foi feita depois de uma reunião com 28 empresários da indústria, comércio e setor financeiro em Brasília, onde estiveram também a presidente Dilma Rousseff e o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. E o mercado mostrou-se ainda mais cauteloso do que já estava, sustentando a cotação da moeda norte-americana acima de R$ 1,82. O dólar abriu em queda de 0,22%, a R$ 1,820.

Lá fora, a cautela também é a palavra de ordem, mas o problema é a recuperação da economia global. Os investidores ainda estão sob o efeito negativo dos sinais emitidos ontem de que as economias da Europa e da China caminham a passos mais lentos do que esperado. Isso enfraquece os ativos de risco desde esta quinta-feira e afeta também o dólar. A moeda norte-americana subiu nos últimos tempos, primeiro em função das expectativas positivas para a recuperação dos Estados Unidos e, posteriormente, em razão do aumento da aversão ao risco. Agora, ainda que os investidores possam seguir apostando num desempenho melhor da atividade norte-americana do que na europeia, passaram a fazer ajustes. E a perspectiva de alguns especialistas internacionais é de pregões técnicos pela frente.

Hoje cedo, o euro valia US$ 1,3242 ante US$ 1,3200 no final da tarde de ontem, em Nova York. O dólar index registrava queda de 0,28%. Diante das moedas emergentes de maior destaque, no entanto, o rumo era díspar. Às 8h26, o dólar norte-americano subia 0,11% em relação ao dólar australiano, 0,28% em comparação ao dólar canadense e caía 0,18% ante o dólar neozelandês.

Essas moedas, chamadas de commodities pelos investidores, computam maior influência dos temores em relação ao desempenho chinês, nos últimos dias. O real, que habitualmente mantém uma forte correlação com elas, tem se afastado da tendência em alguns momentos, em função da política intervencionista do governo.

Porém, mesmo com as decisões de mercado fortemente limitadas pela ação do BC e do Ministério da Fazenda sobre as taxas de câmbio, o mercado doméstico tem acompanhado atentamente o noticiário do dia em busca de oportunidades de negócio. Hoje, nos Estados Unidos, tem dados do setor imobiliário e mais uma aparição pública do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, às 14h45.

Internamente, vários destaques. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, participa de evento em São Paulo, hoje cedo e deve merecer todas as atenções de economistas e investidores, que ainda não tiveram a oportunidade de ouvir suas palavras depois da última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), em que houve a sinalização de um piso para a Selic.

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