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Dólar deve retroceder ante real e voltar abaixo de R$ 2,20

Avaliação é do estrategista para câmbio do Scotia Capital, Sacha Tihanyi, que não fixou prazo para isso ocorrer

Patricia Lara, da Agência Estado,

16 de janeiro de 2009 | 12h30

O estrategista para câmbio do Scotia Capital, Sacha Tihanyi, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo, acredita que a desvalorização do real ante o dólar não deve prosseguir. "Devemos ver o dólar retroceder dos níveis atuais e voltar abaixo de R$ 2,20." No entanto, o estrategista não fixou um timing exato para que esse nível seja alcançado. "Várias moedas devem se apreciar ante o dólar neste ano, já que vários fatores que vinham dando suporte para a divisa norte-americana devem se esvair", disse. "E o real deve voltar para níveis vistos em meados de 2008, se continuar se mantendo relativamente isolado em relação à crise e continuar retendo a confiança dos investidores." Ouça a entrevista   Tihanyi elogiou a decisão do Banco Central brasileiro de garantir que será atendida toda a demanda das empresas brasileiras por recursos para rolagem de dívida externa. "O BC está seguindo o caminho de outros BCs nas grandes economias. O BC tem tentado garantir pipelines para o dólar e evitar que companhias declarem defaults." "A grande questão, no entanto, é se o BC vai agir rapidamente em relação às condições monetárias brasileiras. Um alívio monetário será um sinal positivo para os mercados e, definitivamente, dará um apoio importante para a economia. As taxas estão, relativamente, elevadas no Brasil", avaliou. Comportamento do euro O euro pode se enfraquecer para o patamar de US$ 1,25 no curto prazo, mas Tihanyi acredita que a moeda europeia deve se recuperar, gradualmente, com o desenrolar do ano, voltando para um nível de US$ 1,41 no quarto trimestre deste ano. Há pouco, o euro era cotado a US$ 1,3078, com queda de 0,72%. A despeito de pressões como o rebaixamento do rating da Grécia e de ameaças de downgrade do rating soberano espanhol, o estrategista ressaltou que os países da zona do euro ainda apresentam uma condição excelente na qualidade de crédito e que seus balanços fiscais podem estar sofrendo uma deterioração, mas ainda são positivos. "Por isso, o risco de haver um default de dívida soberana na região é muito, muito baixo", declarou o estrategista. "Esse comportamento de fortalecimento gradual do euro ante o dólar deve-se, principalmente, ao sentimento em relação ao dólar. Os EUA vão enfrentar um déficit fiscal maior e o Fed está sozinho para lidar com isso", declarou. "Os investidores devem mostrar mais confiança em manter ativos em euros e não em dólares." Para o estrategista, a volta da estabilidade ao mercado imobiliário norte-americano é um ponto-chave para uma recuperação dos EUA, mas previu que a economia daquele país deve começar a sair do fundo do poço no começo do terceiro trimestre. "Devemos ver uma contração muito profunda no 1º e 2º trimestre deste ano. Mas, possivelmente, os EUA devem sair do fundo do poço no final do 3º trimestre", afirmou Tihanyi. "E, a partir desse ponto, podemos começar a ver uma recuperação." "Mas para que isso ocorra, é necessário que os preços dos imóveis parem de cair e que haja uma retomada do crédito para os consumidores e corporações. Essa é uma questão, aparentemente, que desperta a preocupação das autoridades norte-americanas", observou. "E, aparentemente, as autoridades estão cientes de que não se pode haver mais um fracasso como o que ocorreu com o Lehman Brothers." China A China deve continuar seu processo de diversificação para outras moedas que não sejam o dólar durante esse ano, mas isso ocorrerá com gradualismo, já que um movimento nesse sentido poderia acrescentar uma nova turbulência para sua economia. "Mas a China vai continuar mantendo um nível, relativamente, elevado de ativos denominados em dólares por um determinado período de tempo", disse. "Como o esfriamento econômico está afetando as exportações e importações da China, as autoridades não devem se mostrar dispostas a fazer alterações que afetem ainda mais, negativamente, sua economia", disse, lembrando que se houver uma depreciação no valor do dólar, haveria um impacto indesejado de redução nas reservas chinesas. "Na medida em que a balança comercial chinesa se tornar menos dependente do comércio norte-americano nos próximos anos, poderemos ver uma abordagem mais gradual de diversificação para outras moedas que não sejam o dólar."

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