Dólar dispara com sinais de crise parecida com 2008 e fecha em R$ 1,86

Risco enfrentado pela Grécia de sair da zona do euro foi um dos motivos que justificaram um aumento de posições defensivas em dólar

Silvana Rocha, da Agência Estado,

23 de novembro de 2011 | 17h03

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, sintetizou hoje o que o mercado já vem percebendo há algum tempo: que a crise mundial está trazendo de volta condições parecidas com as de 2008. Hoje, a China e a Alemanha acirraram as preocupações do mercado e do governo, após a queda acentuada do índice de atividade chinês PMI e da fraca demanda em leilão de títulos alemães.

O risco enfrentado pela Grécia de sair da zona do euro, ressaltado pelo Banco Central do país, justificou ainda um aumento de posições defensivas em dólar, que ganhou suporte extra de indicadores norte-americanos um pouco melhores. No final, o dólar serviu de porto seguro aos investidores e subiu em relação a quase todas as moedas rivais, incluindo o real. O volume de negócios manteve-se firme nesta véspera de feriado norte-americano de Ação de Graças.

No mercado doméstico, o dólar à vista operou com sinal positivo o tempo todo, depois de interromper ontem uma sequência de cinco sessões de ganhos. A moeda no balcão disparou 3,16% (maior valorização diária desde 22/9/2011, quando subiu 3,52%), para R$ 1,8630 (valor mais alto desde 4/10/2011, quando terminou em R$ 1,8890). Na BM&F, o dólar pronto encerrou com forte avanço de 2,90%, a R$ 1,8552.

O estresse nos mercados começou logo cedo. A leitura preliminar do Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) da China, medido pelo HSBC, assinalou queda de 48,0 em novembro em comparação à leitura final de 51,0 em outubro, segundo analistas. Depois, o leilão de bunds alemães atraiu pouca demanda para a oferta de 6 bilhões de euros em títulos, o que preocupou os investidores.

Reportagem dizendo que a Bélgica pode não pagar sua parte no resgate do Dexia também elevou a pressão sobre o euro, pois levantou especulações de que a França terá de assumir um papel maior no salvamento do banco, o que poderá ameaçar o rating de crédito do país. Além disso, o banco central da Grécia afirmou que o país enfrenta um risco real de sair da zona do euro e alertou para uma "trajetória descontrolada de baixa".

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