AP Photo/Jacquelyn Martin
AP Photo/Jacquelyn Martin

Dólar sobe 2,53% e fecha em R$ 3,80; Bolsa fecha em queda de 0,97%

Dólar voltou a subir influenciado pelo cenário externo; Bolsa tem queda e fecha aos 71.421,19

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

14 Junho 2018 | 10h30
Atualizado 14 Junho 2018 | 17h59

No dia em que o Banco Central fez o maior volume de intervenção no mercado de câmbio dos últimos meses, despejando US$ 5 bilhões para segurar o dólar em três leilões extraordinários, a moeda dos Estados Unidos não cedeu e fechou a quinta-feira perto da máxima do dia, em R$ 3,8095, alta de 2,53%. Já a Bolsa foi refém do estresse visto nos mercados de câmbio e juros, em meio ao movimento de aversão ao risco no Brasil e no exterior. O Índice fechou em queda de 0,97%, aos 71.421,19 pontos.

+ Decisão do Fed afeta câmbio e inflação

Segundo especialistas, o movimento do dólar no Brasil reflete seu fortalecimento no exterior, que teve forte alta ante divisas de emergentes como Argentina, Turquia e México, mas também embute a inquietação do mercado com a falta de sinalização mais clara do BC sobre o que pretende fazer no câmbio a partir da semana que vem. O real foi a segunda moeda que mais caiu ante o dólar nesta quinta-feira entre os principais mercados emergentes do mundo, atrás apenas da Argentina.

Nesta sexta-feira, 15, termina o prazo para a colocação de US$ 24,5 bilhões em ofertas extras de swap cambial, volume prometido pelo presidente do BC, Ilan Goldfajn, na semana passada, quando a moeda rondou os R$ 4,00. Desse total, US$ 18,7 bilhões já foram colocados até esta quinta-feira. Ilan disse que o BC não tem preconceito contra nenhum tipo de instrumento, mas não sinalizou até agora qual será o próximo passo de atuação no câmbio. Nesta quinta-feira, foram ofertados 100 mil contratos, superando a oferta do dia 18 de maio de 2017, dia seguinte após a notícia da delação do empresário Joesley Batista, quando foram colocados 80 mil contratos.

O economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, ex-diretor do BC, avalia que a atuação da instituição por meio da oferta de contratos de swap é justificada, pois os dados mostram que não tem havido grande demanda para dólar à vista, o que reduz a necessidade de outros instrumentos de intervenção. Além disso, o fluxo cambial mostra entrada de recursos, o que reduz a pressão no mercado. Com isso, a visão do banco é que o BC atua para evitar uma "dinâmica perversa" ou corrigir "volatilidade excessiva", mas não para defender um nível de preço para o dólar aqui.

"O debate sobre a intervenção do BC, com economistas, analistas e operadores de mercado está mais ou menos dividido entre aqueles que dizem que o BC está fazendo demais e os que argumentam que está fazendo de menos. O que provavelmente sugere que o Banco Central está fazendo na intensidade correta", disse Mesquita.

+ Mercado está pessimista sobre rumo do Ibovespa

Bolsa. "A Bolsa seguiu o movimento de fuga de ativos de risco, em um dia de alta generalizada do dólar, juros futuros subindo mais de 40 pontos, avanço do CDS brasileiro e o mercado doméstico testando o Banco Central nos leilões de swap", disse Luiz Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos.

O estrategista da Guide afirma que pesa bastante no mercado de ações a incerteza quanto à atuação futura do Banco Central no câmbio e sobre qual será o novo patamar de equilíbrio do dólar. Mesmo com a oferta de US$ 5 bilhões em contratos de swap cambial feita pelo BC, o dólar subiu mais de 2,5% e terminou acima dos R$ 3,80. Dos US$ 24,5 bilhões que a autoridade monetária prometeu injetar no mercado via leilões extraordinários de swap até amanhã, já foram colocados US$ 18,7 bilhões.

"Lá fora, o movimento é bastante influenciado pela política monetária, que está se invertendo", disse ele sobre as recentes reuniões do Federal Reserve e do Banco Central Europeu (BCE), que sinalizam para mudanças para os próximos meses. O BCE manteve a taxa de refinanciamento em 0% e a taxa de depósitos em -0,4%. A autoridade monetária manterá as compras de 30 bilhões de euros por mês até setembro, mas reduzirá esse montante para 15 bilhões entre outubro e dezembro.

A queda do Ibovespa foi mais uma vez determinada pelas baixas das ações do segmento financeiro, que foram expressivas. Banco do Brasil ON caiu 4,53%, Itaú Unibanco PN perdeu 3,55% e Bradesco ON cedeu 5,13%. As ações da Petrobras e da Eletrobras chegaram a subir ao longo do dia, motivadas por expectativas positivas próprias, mas terminaram o dia em terreno negativo. Petro ON e PN perderam 0,06% e 0,46%, enquanto Eletrobras PNB recuou 1,80%.

Mais conteúdo sobre:
dólar câmbio bolsa de valores

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.