Dólar e iene sobem com crise na Europa e tensão entre Coreias

Euro caiu a seu menor nível ante o iene desde outubro de 2001

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

25 de maio de 2010 | 18h10

O dólar e o iene ganharam terreno em meio a preocupações quanto ao impacto da crise da dívida na zona do euro sobre o setor financeiro combinadas com o aumento da tensão na Península Coreana.

O euro caiu a seu menor nível ante o iene desde outubro de 2001 e chegou perto da mínima em quatro anos ante o dólar antes de conseguir uma modesta recuperação no fim da tarde.

Dados melhores que o esperado sobre o sentimento do consumidor norte-americano ajudaram a acalmar os nervos dos investidores e as ações norte-americanas recuperaram parte de suas perdas iniciais no fim do pregão.

Coreia defende won

A Coreia do Sul, por sua vez, defendeu o won pela primeira vez em mais de um ano ao intervir no câmbio quando a moeda caía à mínima em quase um ano por causa das tensões com a Coreia do Norte.

Apesar da recuperação do euro no fim do dia, "as pessoas estão nervosas", observou John McCarthy, gerente de câmbio do ING Capital Markets em Nova York, o que provoca declínios acentuados na cotação de moedas intimamente ligadas ao crescimento global, como os dólares australiano e canadense, que perderam perto de 0,8% ante o dólar norte-americano.

Os indicadores positivos nos EUA tiraram um pouco do nervosismo dos mercados, ajudando o euro e se refazer de parte das perdas, apesar de ter caído mais de 0,3% ante o dólar.

O índice de confiança do consumidor do Conference Board subiu pela terceira vez consecutiva, passando de 57,7 em abril para 63,3 em maio, segundo dados divulgados hoje; analistas projetavam a leitura do dado em 58,5.

Matthew Strauss, estrategista cambial da RBC Capital Markets em Toronto, disse ter recomendado a clientes que vendam o euro diante das mais modestas altas.

Recomendações do FMI

Dando ênfase aos temores de que a crise da dívida na zona do euro poderia estar atravessando fronteiras, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou ontem uma advertência excepcionalmente dura sobre a economia da Espanha e recomendou a Madri que promova "reformas rápidas e radicais" para evitar os problemas que têm assolado a Grécia. A análise veio à tona depois que o banco central espanhol assumiu, no fim de semana, o banco estatal de poupança CajaSur, que detém 0,6% dos ativos do sistema bancário.

"Se havia alguma dúvida antes, agora não há mais", disse Marc Chandler, diretor da unidade de câmbio do Brown Brothers Harriman em Nova York. "A crise da dívida europeia não é um fenômeno meramente grego. A Espanha é o foco agora."

Apesar disso, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, assegurou hoje que a atual crise fiscal na União Europeia (UE) não representa uma ameaça ao euro.

No fim da tarde, em Nova York, o euro era negociado a US$ 1,2328, de US$ 1,2383 ontem; o dólar era cotado a 90,05 ienes, de 90,40 ienes na ontem; a libra estava em US$ 1,4394, de US$ 1,4438 ontem. As informações são da Dow Jones.

 

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