Dólar e presidente do BC dos EUA dominam atenções

A semana para o mercado financeiro começa com uma grande dúvida: o Banco Central (BC) continuará atuando pesadamente para impedir novas quedas do dólar ante o real? Na semana passada, como se sabe, a moeda americana registrou fortes perdas na segunda e terça-feira A partir de quarta, o BC interveio no mercado com mais vigor, elevando o valor de compra da moeda em relação à média dos últimos meses. A estratégia, aparentemente, funcionou. Sexta-feira, a moeda americana fechou acima de R$ 2,10 pela primeira vez em uma semana. Para analistas, a manutenção do dólar nesse nível depende dessas intervenções. ?Se o BC deixar o mercado mais livre, a moeda americana vai buscar o nível de R$ 2,05 e provavelmente se aproximará de R$ 2,00?, disse Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin. Em termos de eventos e indicadores, o destaque da semana são os discursos do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) no Congresso dos Estados Unidos. Quarta-feira, ele depõe sobre as condições da economia americana no Comitê de Bancos do Senado. Na quinta, presta depoimento no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara. ?Bernanke mostrará as projeções do Fed para indicadores como desemprego e inflação?, explicou o economista da Arx Capital Asset Management, Alexandre Sant?anna. Segundo ele, dois fatores preocupam os investidores em relação aos EUA hoje: um eventual aumento da taxa básica de juros e uma desaceleração econômica superior à inicialmente projetada. A agenda de indicadores americanos está cheia. Os principais, segundo os analistas, são as vendas no varejo em janeiro (quarta-feira), o índice de atividade do setor de construção de moradias (quinta) e o índice de preços ao produtor, PPI, na sigla em inglês (sexta). No Brasil, a agenda é considerada fraca. O único dado destacado pelos analistas é o de vendas no varejo relativas a dezembro (quinta-feira). ?O número poderá confirmar se a demanda está mesmo se tornando mais forte?, explicou Sant?Anna. ?É um indicador que será observado com muita atenção por aqueles que atuam no mercado de juros.? Nesse cenário, a expectativa de curto prazo para os mercados é de volatilidade. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) está num nível considerado alto pelos analistas e, por isso mesmo, encontra dificuldades para subir com vigor. O dólar oscilará ao sabor das ações do BC e os juros responderão aos indicadores de atividade.

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