Dólar é pressionado pelo exterior e abre a semana em alta

Autoridades de bancos centrais de vários países alertarem no fim de semana para mais turbulência no mercado financeiro

Silvana Rocha, da Agência Estado,

26 de agosto de 2013 | 10h02

A semana de agenda interna cheia tende a ser marcada pela volatilidade nos mercados. Os negócios no mercado de câmbio começaram nesta segunda-feira, 26, com um leilão do Banco Central de até 10 mil contratos de swap cambial para 02/12/2013 (US$ 500 mil), que equivale à venda de moeda no mercado futuro. Essa operação, no entanto, só ameniza a pressão vinda do exterior.

O dólar abriu cotado a R$ 2,3670 (+0,47%) no balcão. Às 9h44, a moeda registrou uma mínima, a R$ 2,3550 (-0,04%).

No mercado futuro, no mesmo horário, o contrato de dólar com vencimento em 1º de setembro subia a R$ 2,3595 (+0,28%), após atingir uma máxima, a R$ 2,3725 (+0,83%). A mínima desse vencimento foi de R$ 2,3570 (+0,16%), registrada após uma abertura a R$ 2,3610 (+0,34%).

A demanda pela divisa dos EUA é sustentada num ambiente de cautela. Autoridades de bancos centrais de vários países alertarem no fim de semana para mais turbulência no mercado financeiro, enquanto o Fed, o banco central dos Estados Unidos, se prepara para reduzir os estímulos à economia do país.

Os mercados globais estão hesitantes desde maio, quando o Fed começou a sinalizar que poderia reduzir as compras de bônus, de US$ 85 bilhões por mês. Os juros de hipotecas aumentaram nos EUA e as moedas e ações de várias economias emergentes caíram. Essa volatilidade é um sinal de que os efeitos dessa redução "podem não ser suaves", disse o vice-presidente do Banco da Inglaterra, Charles Bean, durante o simpósio de política monetária do Fed de Kansas City em Jackson Hole, Wyoming.

Além disso, a disputa entre comprados e vendidos no mercado futuro em torno da definição da taxa Ptax de fim de mês, que será formada na próxima sexta-feira, 30, deve alimentar a instabilidade do câmbio interno nos próximos dias. As expectativas também estarão voltadas para o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (na terça-feira, 27, e na quarta-feira, 28) e a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do segundo trimestre, na sexta-feira, 30, que também devem mexer com as decisões de negócios.

Depois que o presidente do BC, Alexandre Tombini, alertou para o fato de que os juros futuros incorporam prêmios excessivo e que a aposta em uma única direção poderá trazer perdas aos que investem em movimentos unidirecionais da moeda norte-americana, houve na sexta-feira passada, 23, a desmontagem de uma série de posições compradas em dólar e juros no mercado futuro. A previsão de uma oferta de até US$ 60 bilhões até o fim do ano por meio de leilões diários de swap cambial, a serem feitos de segunda a quinta-feira, e de leilão de linha, às sextas-feiras, tornou mais arriscado apostar no avanço do dólar ante o real.

Devido a isso também, para o Copom desta semana, a perspectiva majoritária entre investidores é de uma nova alta de 0,50 ponto porcentual da Selic, para 9% ao ano, que poderá ser seguida de dois novos apertos na mesma magnitude, em outubro e novembro.

O leilão desta segunda-feira, 26, realizado das 9h30 às 9h40 e cujo resultado será conhecido ainda nesta manhã, trata-se da primeira operação de swap após o anúncio feito na última quinta-feira, 22, do novo programa de leilões de câmbio do BC, que começou com uma oferta de linha de até US$ 1 bilhão (venda de moeda com compromisso de recompra) na sexta-feira, 23. Em reação a essa estratégia, o dólar à vista encerrou a semana passada cotado a R$ 2,3560, com baixa de 3,36% - maior recuo porcentual em um único dia desde 29 de junho de 2012, quando caiu 3,50%. No mercado futuro, o dólar para setembro de 2013 fechou a R$ 2,3530.

A agenda de indicadores dos Estados Unidos para esta semana tem como destaque a segunda leitura do Produto Interno Bruno (PIB) do segundo trimestre; as encomendas de bens duráveis em julho, o índice de confiança do consumidor em agosto, medido pelo Conference Board; e o índice de atividade ISM do Fed de Chicago em agosto.

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