Dólar é pressionado por baixo crescimento

A taxa de câmbio brasileira é resultado do fato de que a economia local cresce a níveis bem menores que a média mundial, fazendo com que as exportações brasileiras superem as importações. Essa avaliação é do economista responsável pelos boletins da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), Fernando Ribeiro. "É o efeito demanda", afirmou. Quando o crescimento de um país é menor que o do mundo, as exportações aumentam e as importações diminuem. No ano passado, o PIB brasileiro cresceu apenas 2,3%, resultado que na América Latina só superou o do Haiti. Na média os países emergentes cresceram 6,5%. "Num contexto como o atual, é natural que o câmbio esteja valorizado, mas com a economia aquecida, a taxa de câmbio muda", disse. Ribeiro reconhece que "houve mudanças estruturais importantes, como a queda da dívida externa, do risco País e o saldo comercial". Para ele, "a taxa de câmbio atual é a de equilíbrio neste momento, não é artificial, é natural e reflete o momento atual, o que não significa que daqui a três anos continue assim". Esse equilíbrio, no entanto, não impede que a taxa de câmbio exerça uma influência negativa para as exportações, disse o economista. Ele observou que "nos 12 meses até janeiro o aumento das exportações foi de 9,1% em relação aos 12 meses anteriores, enquanto que em meados de 2005 esse crescimento estava em 15% e em 2004 em quase 20%". Além disso, as exportações em valor cresceram 22,6% em 2005 ante 2004, enquanto no mês passado o aumento das exportações foi de 12,8% em comparação com fevereiro de 2005, o que evidencia uma redução do ritmo de crescimento.

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