Dólar em Nova York volta a cair

Dólar australiano subiu 1,8%, seguindo o desempenho positivo de várias outras moedas emergentes

Regina Cardea, da Agência Estado,

20 de outubro de 2010 | 18h38

O dólar caiu forte nesta quarta-feira, devolvendo os ganhos do dia anterior. Os investidores decidiram ignorar os esforços da China para desacelerar sua economia que, acreditam, é robusta o suficiente para suportar o pequeno aumento no juro anunciado ontem. Desta forma, eles retomaram as compras de euro e de moedas de retorno maior, como o dólar australiano, ligadas de perto às commodities e ao crescimento global liderado pela China.

 

O dólar foi ainda mais pressionado durante a sessão em Nova York quando declarações otimistas da chanceler alemã Angela Merkel sobre a retirada das medidas de estímulo contrastaram com novas especulações do mercado sobre um plano específico para compra de bônus pelo Fed nos EUA.

 

Merkel disse que a economia global não se recuperou completamente da crise financeira, mas que há "boas razões para se voltar agora para as estratégias de saída" das medidas de estímulo. A Alemanha já determinou em grande medida sua saída ao planejar cortar 80 bilhões de euros do orçamento nos próximos quatro anos.

 

Nos EUA, um relatório de um grupo de analistas circulou no mercado afirmando que o possível plano de estímulo do Fed, ou afrouxamento quantitativo, já está acertado. Segundo o relatório, o plano envolveria US$ 500 bilhões para os primeiros três a seis meses e o Fed teria um compromisso em aberto para comprar mais ativos nos próximos 12 a 18 meses.

 

"É o típico rumor de mercado, muito especulativo", disse Hans Redeker, chefe de estratégia de câmbio global do BNP Paribas em Londres. Não há como confirmar a credibilidade do informe, mas atiçou o fogo depois dos comentários de Merkel, disse.

 

As visões divergentes cimentaram as expectativas de um euro mais forte sustentado pelo aumento da confiança na recuperação europeia e de confiança abalada na economia dos EUA, que deve precisar de novos estímulos - que incluiriam a impressão de moeda, que vai enfraquecer o dólar.

 

O dólar caiu a uma nova mínima em 15 anos em relação ao iene, 80,84 ienes, antes de se recuperar levemente. O euro também reverteu as perdas de ontem, subindo 1,6%, bem acima da marca de US$ 1,39 nas transações em Nova York.

 

O dólar australiano subiu 1,8%, seguindo o desempenho positivo de várias outras moedas emergentes.

 

O Livro Bege divulgado pelo Fed nesta quarta-feira não mudou o sentimento antidólar. O Fed afirmou que houve uma certa melhora nas condições econômicas de seus doze distritos no período entre setembro e o início de outubro, com uma leve aceleração no crescimento de grande parte dessas regiões.

 

No fim da tarde em Nova York, o euro era negociado em alta a US$ 1,3949, de US$ 1,3730 ontem. O dólar estava em 81,16 ienes, de 81,58 ienes, enquanto o euro valia 113,25 ienes, de 112,01 ienes na tarde de ontem. A libra do Reino Unido subia para US$ 1,5840, de US$ 1,5697. As informações são da Dow Jones.

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