Dólar encerra no maior nível desde maio de 2009

Apesar da intervenção moeda fecha em alta de 1,75%, a R$ 2,147 e encerra maio com alta de 7,24% e o ano com +4,99%

Fabrício da Castro, da Agência Estado,

31 de maio de 2013 | 17h34

O Banco Central (BC) finalmente interveio. Após o dólar escalar o patamar de R$ 2,00 para perto de R$ 2,15 durante o mês de maio, a autoridade monetária fez nesta sexta-feira, 31, um leilão de swap cambial tradicional (equivalente à venda de dólares no mercado futuro). Assim, o dólar desacelerou momentaneamente os ganhos ante o real no mercado de balcão, mas ainda fechou em alta de 1,75%, cotado a R$ 2,1470. Este é o maior patamar de fechamento desde 5 de maio de 2009, quando terminou a R$ 2,1480. Para profissionais ouvidos pelo Broadcast, o serviço de tempo real da Agência Estado, ainda é cedo para afirmar que o BC estabeleceu um novo teto para a moeda, em R$ 2,15, mas parece claro que há um desconforto em relação a esse nível, considerando o atual cenário para a inflação.

No mês, o dólar acumulou avanço 7,24% e, no ano, alta de 4,99%. Na mínima de hoje, verificada às 9h32, a moeda marcou R$ 2,1200 (+0,47%) e, na máxima, perto do fechamento, atingiu R$ 2,1520 (+1,99%). Às 16h41 (horário de Brasília), a clearing de câmbio da BM&F registrava giro financeiro de US$ 1,447 bilhão. Os volumes foram inferiores aos verificados no início da semana, já que esta sexta-feira ficou espremida entre o feriado e o fim de semana. No mercado futuro, o dólar para junho era cotado a R$ 2,13150, em alta de 0,97%, enquanto a moeda para julho estava em R$ 2,15650, com ganho de 1,53%.

Pela manhã, perto das 11 horas, a moeda chegou a ser cotada a R$ 2,1460 (+1,71%), o que fez o Banco Central entrar em ação. A autoridade monetária fez uma consulta de demanda sobre leilão de swap cambial tradicional - o que já desacelerou a moeda no balcão - e, perto das 12h30, anunciou um leilão de 30 mil contratos de swap tradicional com vencimento em 1/7/2013. O BC vendeu 17.600 contratos, o equivalente a US$ 876,7 milhões.

Chamou a atenção do mercado o fato de o BC ter feito o leilão ainda sem a definição oficial da Ptax - a taxa de câmbio que servirá para a liquidação de contratos derivativos na segunda-feira, 03. No momento do leilão, ainda faltava a última coleta para determinação da Ptax (ocorrida às 13h09). No fim, a Ptax fechou com alta de 2,03%, cotada a R$ 2,1319, favorecendo os investidores que estavam comprados em dólar no mercado futuro.

Como não vendeu todos os contratos, profissionais disseram que a tendência é que o Banco Central volte à carga na semana que vem. Não está claro, porém, qual seria o novo "teto informal" para a moeda. "Não dá para afirmar nada porque hoje a liquidez foi baixa. O BC pode entrar de novo a qualquer momento no mercado, não dá para saber", comentou um operador da mesa de câmbio de um grande banco.

Na visão de analistas, um dólar acima de R$ 2,15 não seria de interesse do Banco Central, em função do impacto disso sobre a inflação.

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