Dólar encerra semana com leve queda

Na semana, o dólar perdeu 1,29%. Desde o começo do mês, a moeda acumula baixa de 2,49%; no ano, o dólar tem alta de 0,92%

Taís Fuoco, da Agência Estado,

23 de julho de 2010 | 16h55

O dólar comercial registrou leve queda de 0,06% hoje e fechou as negociações no mercado interbancário de câmbio cotado a R$ 1,759. Na taxa mínima do dia, foi negociado a R$ 1,757 e na máxima, R$ 1,769. Na semana, o dólar perdeu 1,29%. Desde o começo do mês, a moeda acumula baixa de 2,49%; no ano, o dólar tem alta de 0,92%. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar à vista fechou o pregão de hoje em baixa de 0,22% a R$ 1,7571. O euro comercial subiu 0,09% e foi negociado a R$ 2,272.

O resultado dos testes de estresse dos 91 bancos europeus, amplamente aguardado pelos investidores ao longo de toda a semana, deixou no ar mais descrédito que alívio, já que a notícia (positiva) de que apenas 7 das 91 instituições não passariam em um cenário de estresse trouxe consigo os detalhes dos critérios usados. E eles não convenceram. Tampouco atenuaram o temor com a fragilidade dos bancos das nações com problemas em suas dívidas soberanas.

No câmbio, o euro chegou a recuar da faixa de US$ 1,29 em que encostou pela manhã, mas retornou à tarde. No mercado doméstico, entretanto, não houve uma reação consistente, depois da forte queda de ontem. O dólar abriu em leve baixa, mas oscilou entre pequenas altas e pequenas quedas ao longo de toda a sessão, perto da estabilidade.

No mercado interno, o que "trava" um pouco as operações perto do R$ 1,76 é a forte posição vendida dos bancos no mercado à vista, de algo como US$ 13 bilhões, em um cenário de fluxo cambial negativo, e a proximidade do piso psicológico de R$ 1,75. Mesmo assim, o Banco Central ainda não abandonou a prática de se dispor a fazer compras diárias no mercado spot (à vista) e hoje realizou leilão entre 15h38 e 15h48, fixando a taxa de corte das propostas em R$ 1,7595. Os números recentes mostram, no entanto, que o BC tem comprado cada vez menos dólares.

Para alguns operadores, a pouca oscilação no câmbio após a divulgação dos resultados pode ser um sinal de que o mercado já estivesse posicionado para o que se viu. Rumores davam conta há dias, por exemplo, que o estatal Hypo Real Estate estaria com problemas e ele foi, de fato, o único banco alemão a ser "reprovado" nos testes. "O mercado já tinha se ajustado na abertura e ficou no aguardo de alguma surpresa. Como não veio nenhuma, manteve o suporte perto de R$ 1,76", afirmou José Carlos Amado, operador de câmbio da Renascença Corretora.

O resultado mostrou que os 91 bancos examinados poderiam estar diante de uma deficiência de capital potencial de ? 566 bilhões em um ambiente de deterioração econômica e financeira. Os testes revelaram que sete bancos precisariam levantar capital novo para fortalecer suas finanças e ser capazes de suportar uma deterioração na atividade econômica ou uma crise dos bônus governamentais.

Os testes europeus não incluíram, entretanto, um default (calote) de dívida soberana e não avaliaram se os bancos possuem colchões de liquidez suficientemente grandes ou conjuntos de ativos fáceis de serem vendidos, o que garantiria que eles poderiam cumprir obrigações futuras e financiar suas atividades em andamento. As duas ausências suscitaram dúvidas sobre a eficácia dos testes aplicados. Modelos de financiamento pobres foram a principal causa do fracasso de algumas instituições financeiras durante a crise global.

Perto das 16h40, o euro, que se beneficiou, mais cedo, da alta da confiança do empresariado alemão e o PIB do Reino Unido, valia US$ 1,2913, de US$ 1,2892 ontem no final do dia em Nova York. Já o dólar subia para 87,34 ienes, de 86,93 ienes ontem à tarde em NY.

Câmbio turismo

Nas operações de câmbio turismo, o dólar subiu 0,16% hoje para R$ 1,88 (venda) e R$ 1,733 (compra). O euro turismo estava estável, a R$ 2,39 (venda) e R$ 2,243 (compra), em média.

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