Dólar faz meia-volta e sobe ante o real

Depois de abrir em leve queda, agenda cheia dos EUA deve sustentar movimento de alta da moeda norte-americana

Olivia bulla, da Agência Estado,

23 de agosto de 2012 | 10h26

Mesmo com o Federal Reserve acenando com a possibilidade de injetar liquidez no mercado financeiro em breve, o câmbio não tende a sair do lugar no Brasil. Isso porque os agentes domésticos seguem atentos a eventuais novas atuações do Banco Central, o que deixa o dólar praticamente estável em relação ao real, sempre um pouco acima do piso informal de R$ 2,00, mas também não muito distante desse nível. Mas o dia é de agenda cheia nos Estados Unidos, após dados desanimadores sobre o desempenho da atividade na China e na Europa, o que pode trazer maior volatilidade aos negócios.

Às 9h45, na BM&F Bovespa, o contrato futuro do dólar para setembro subia 0,22%, a R$ 2,0255, na máxima, depois de oscilar até uma mínima a R$ 2,0215 (+0,02%). No mercado de balcão, o dólar à vista avançava 0,05%, a R$ 2,021, na máxima, após atingir a mínima de R$ 2,018, em queda de 0,10%.

Segundo um operador da mesa de câmbio de um banco local, o dólar deve seguir lateral, sem muito fôlego para se afastar do piso informal de R$ 2,00, mas também sem razões para testar essa marca. Para ele, permanece a percepção de que o BC brasileiro pode intervir no mercado doméstico. Ainda assim, o profissional, que falou sob a condição de não ser identificado, acredita que o câmbio local seguirá oscilando entre margens estreitas. Tanto que na quarta-feira não participou da movimentação nas bolsas, no euro e nos demais ativos de risco, em reação à divulgação do viés mais brando da ata da última reunião de política monetária do Fed.

O documento, divulgado na tarde de quarta-feira, diz que os integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) "julgaram que uma acomodação monetária adicional provavelmente será justificável muito em breve". Para a diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares, essa foi a indicação mais clara até agora de que o Fed pretende comprar mais bônus do Tesouro ou adotar outras medidas de estímulo.

Com isso, afirma Miriam, em relatório, todas as expectativas se voltam para o discurso que o presidente do Fed, Ben Bernanke, fará no encontro de Jackson Hole (EUA), previsto para o fim da próxima semana. Ela lembra que, em outras ocasiões, neste mesmo evento, Bernanke acenou medidas de estímulo.

Por enquanto, os investidores seguem atentos aos números da economia dos EUA, já que a autoridade monetária norte-americana condicionou, na ata, a necessidade de novos estímulos, "a não ser que as informações a serem divulgadas apontem para um fortalecimento substancial e sustentável no ritmo da recuperação econômica". Segundo a rede de notícias CNBC, o presidente da unidade de Saint Louis do Fed, James Bullard, disse não ter certeza de que os dados econômicos dos EUA justifiquem uma grande ação do Fed.

Na agenda econômica do dia, foi informado que os pedidos de auxílio-desemprego contrariaram a previsão de queda ao subirem 4 mil na semana passada. Às 11 horas, é a vez de números sobre o setor imobiliário, com o anúncio das vendas de moradias novas em julho e o índice de preços de moradias em junho. Logo mais, às 10 horas, sai o índice preliminar de agosto da atividade industrial.

O desempenho da manufatura na China e na Europa no início deste mês já foi anunciado e decepcionou. O índice PMI chinês, medido pelo HSBC, caiu ao menor nível em nove meses, a 47,8, de uma leitura final a 49,3 em julho. O PMI composto da zona do euro, por sua vez, ficou praticamente estável, passando de 46,5 para 46,6, em base mensal, mas manteve o bloco dos 17 países europeus à beira da recessão.

As principais moedas mundiais ganham valor em relação ao dólar esta manhã, com exceção do iene e da libra britânica. As principais moedas correlacionadas com commodities também caem ante o dólar norte-americano.

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