Dólar fecha a R$ 2,309, após superar R$ 2,31 à tarde

Sem intervenção do BC, a cotação subiu 0,96%; no ano, a divisa dos EUA ganha 12,91%

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

13 de agosto de 2013 | 17h01

Os investidores voltaram a testar a disposição do Banco Central (BC) de entrar nos negócios para segurar a cotação do dólar ante o real. A moeda norte-americana superou R$ 2,31 à tarde, mas acabou encerrando a R$ 2,309 nesta terça-feira, em alta de 0,96%. O BC, contudo, apenas observou o movimento. No ano, o dólar acumula alta de 12,91%.

Em sintonia com o exterior, a divisa dos EUA subiu ao longo do dia. Na mínima, às 9h19, marcou R$ 2,290 (+0,13%) e, na máxima, às 15h58, atingiu os R$ 2,313 (+1,14% e maior valor desde 31 de março de 2009). No mercado futuro, o dólar para setembro era cotado a R$ 2,3195, com valorização de 0,96%.

Pela manhã, os dados de vendas no varejo dos Estados Unidos trouxeram sinais mistos sobre o momento em que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) começará o processo de redução de estímulos à economia. Ainda assim, o dólar ganhou força ante outras divisas, incluindo o real.

De acordo com o Departamento do Comércio, as vendas do varejo nos EUA subiram 0,2% em julho, ante a previsão de alta de 0,3%. Na comparação anual, a alta foi de 5,4%. As vendas de junho, porém, foram revisadas para alta de 0,6%, ante o aumento de 0,4% informado anteriormente. Excluindo-se automóveis, as vendas cresceram 0,5% em julho, acima do ganho de 0,4% previsto.

"Foi o exterior", resumiu Mário Battistel, gerente de câmbio da Fair Corretora. "O dólar se valorizou ante todas as demais moedas e isso se deve aos dados dos Estados Unidos. Mas também aos números da Europa", acrescentou.

A Alemanha informou que o índice de expectativas econômicas medido pelo instituto ZEW subiu para 42,0 em agosto, ante os 36,3 em julho. Já a produção industrial na zona do euro avançou 0,7% em junho ante maio e subiu 0,3% em relação a junho de 2012. Para Battistel, os números europeus mostram "que a Europa também está começando a melhorar".

O cenário mais positivo, que reforça a perspectiva de início da redução dos estímulos pelo Fed, dava força ao dólar, "apesar de as bolsas estarem subindo também", disse o executivo.

No Brasil, porém, o porcentual de alta da moeda norte-americana era maior do que o visto no exterior. Para alguns profissionais, isso se deu porque os investidores testavam a autoridade monetária. "O mercado testa para o BC entrar e eu até acho que devia entrar, porque aqui estamos bem descolados, com um porcentual (de alta do dólar) superior ao lá de fora", comentou um operador da mesa de câmbio de um banco.

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