Dólar fecha a R$ 2,87, maior cotação desde outubro de 2004

Moeda americana teve alta de 0,24% ante o real; expectativa sobre acordo do Eurogrupo com a Grécia e avaliação negativa da economia brasileira influenciaram investidores

Fabrício de Castro, O Estado de S. Paulo

20 Fevereiro 2015 | 17h08

O real segue em queda livre. Em meio à expectativa com a reunião do Eurogrupo sobre a Grécia e da avaliação negativa da economia brasileira, os investidores mais uma vez foram em busca da segurança do dólar no Brasil. Isso fez o dólar chegar a subir para acima dos R$ 2,88 durante o dia, para depois encerrar em alta de 0,24% no balcão, cotado a R$ 2,87. Na semana passada, o dólar também fechou cotado a R$ 2,87 na quarta-feira, 11. A cotação representa o maior patamar em mais de dez anos: em outubro de 2004 o dólar estava em R$ 2,87. 

Pela manhã, o dólar chegou a ceder ante o real, com alguns investidores ensaiando uma realização dos lucros mais recentes, vendendo moeda.

Às 9h18, a moeda americana marcou a mínima de R$ 2,85, em queda de 0,35%. O primeiro leilão de swap cambial (equivalente à venda de dólares no mercado futuro) realizado pelo Banco Central no dia, às 9h30, também contribuía para certo viés de baixa para a moeda americana. Na operação, o BC vendeu 2 mil contratos, injetando US$ 98,1 milhões no sistema.

Só que ainda pela manhã o dólar saltou para o território positivo, com os investidores de olho no que ocorria na Europa. A expectativa em torno da reunião de ministros de Finanças na zona do euro (Eurogrupo) com representantes da Grécia, marcada para o início da tarde, trazia certa cautela para os negócios. À tarde, aliás, surgiu a notícia de que o governo grego enviou acidentalmente uma carta "errada" a Bruxelas ontem, sendo que a versão "correta" teria um perfil mais de acordo com o que se espera do país para renovação do programa de empréstimo.

No exterior, as dúvidas sobre a situação da Grécia e de sua permanência na zona do euro se traduziram em movimentos mistos para o dólar ante as demais divisas: a moeda dos EUA sustentava perdas ante o dólar australiano e o neozelandês, por exemplo, mas avançava ante o peso mexicano e a rupia indiana.

No Brasil, os investidores preferiram buscar dólares, ainda mais porque a percepção sobre a economia local segue ruim. Hoje foi um dia de agenda esvaziada de indicadores econômicos por aqui, mas o mercado seguiu mais "comprador" do que "vendedor" de moeda. Para se ter uma ideia, nas últimas dez sessões, o dólar subiu ante o real em nove delas.

Na máxima da sessão, vista às 13h59, o dólar marcou R$ 2,88 no balcão, em alta de 0,70%. Naquele momento, profissionais citavam, para justificar o movimento, a espera pelo resultado da reunião do Eurogrupo e o fortalecimento do dólar ante algumas moedas emergentes no exterior. Perto do fechamento no balcão, surgiram notícias de que os desembolsos à Grécia seriam condicionados a reformas e que a ajuda ao país seria estendida por quatro meses. 

O giro financeiro à vista era contido e somava apenas US$ 1,015 bilhão perto das 16h30. Já o contrato para março havia movimentado cerca de US$ 12 bilhões no horário acima.

Mais conteúdo sobre:
dolarcambiogrécia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.