Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Dólar sobe para R$ 3,25 e Bolsa cai com preocupação com o exterior

Possibilidade de aumento de juros nos EUA movimentou os negócios; na Bolsa, investidores venderam ações com alta da véspera e desempenho fraco das bolsas americanas

Lucas Hirata. Paula Dias, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2016 | 19h06

O dólar comercial avançou 1,65% e encerrou os negócios a R$ 3,2553 nesta terça-feira, 4, no maior nível desde 20 de setembro no mercado à vista. Já a Bolsa teve um dia de correção após a alta de 1,87% da véspera e encerrou o pregão de hoje em baixa de 0,21%, aos 59.339,22 pontos, acompanhando a oscilação negativa das bolsas americanas.

O movimento encontrou sustentação na perspectiva de que o aumento de juros nos Estados Unidos está próximo, após posicionamento mais "hawkish" de um dirigente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) e indicadores positivos da economia norte-americana. 

A moeda, que tocou os R$ 3,26, terminou a sessão não muito distante da máxima de R$ 3,2599 (+1,79%). Já na mínima, a divisa foi a R$ 3,2071 (+0,14%). De acordo com dados registrados na clearing da BM&F Bovespa, o volume de negócios somou US$ 1,655 bilhão. 

Especialistas ouvidos pelo Broadcast explicaram que alguma correção no dólar já era esperada para esta terça-feira, após a divisa norte-americana recuar ontem aos R$ 3,20 no mercado à vista. Esse nível atraiu zeragem de posições vendidas e atuação de importadores no câmbio.

A alta do dólar no exterior foi justificada por recentes comentários de dirigentes do Federal Reserve e indicadores econômicos norte-americanos. O presidente da unidade de Richmond, Jeffrey Lacker, afirmou o aperto monetário preventivo pode manter as pressões inflacionárias sob controle. Nesse contexto, Lacker avaliou que há um "argumento forte" para elevar a taxa de juros acima do nível atual. 

Mercado de ações. Apesar das preocupações no exterior, o cenário doméstico permaneceu positivo para o investidor, que se mostra mais confiante na evolução das medidas do ajuste fiscal.

Entre a máxima de 59.580 pontos (+0,20%) e a mínima de 58.892 pontos (-0,96%), o Índice Bovespa oscilou 688 pontos. A queda no final dos negócios não foi maior porque as ações da Petrobrás definiram alta na última hora de negócios e os bancos melhoraram seus desempenhos ao longo da tarde. Do lado das influências negativas esteve a instabilidade dos preços do petróleo e as quedas das bolsas de Nova York. 

Além do Fed, no rol das preocupações do cenário internacional estiveram ainda a saúde financeira do Deutsche Bank e outros bancos europeus, a sinalização do Reino Unido de acelerar a saída da União Europeia. 

Segundo analistas, algumas ações começam a sentir as expectativas para a nova temporada de balanços. Seria o caso dos bancos, que se destacaram em alta no pregão de hoje. Bradesco ON e PN subiram 1,06% e 1,44%, liderando os ganhos do Ibovespa, enquanto Itaú Unibanco avançou 0,88%. O volume de negócios na Bolsas brasileira totalizou R$ 7,71 bilhões, superior à média das últimas semanas. Com o resultado de hoje, o Ibovespa contabiliza ganho de 1,67% em outubro e de 36,89% em 2016. 

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