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PAULO VITOR/ESTADÃO
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Dólar sobe pelo 3º dia consecutivo e fecha cotado a R$ 3,59

Melhora do cenário internacional não foi suficiente para reduzir a cautela dos investidores, que continuam atentos à situação brasileira; em três sessões, alta acumulada da moeda é de 4%

Fabrício de Castro, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2015 | 17h05

O mercado financeiro teve um breve momento de alívio na manhã desta terça-feira, 25, com as medidas de estímulo à economia chinesa, mas o humor dos investidores mudou durante o dia com o noticiário brasileiro. No fim do dia, a tensão política no Brasil levou a cotação do dólar a fechar em alta pelo terceiro pregão seguido, encostando em R$ 3,60. Com a alta de 0,93%, o dólar fechou a R$ 3,5920, no maior patamar desde 25 de fevereiro de 2003. Em três dias, a alta acumulada é de 4,06%.

Pela manhã, o sinal era de um forte recuo do dólar. Às 9h56, a moeda americana chegou a cair 1,18%, para R$ 3,5170, acompanhando a tendência do mercado internacional. O movimento era influenciado pelo decisão do governo chinês de reduzir em 0,25 ponto porcentual sua taxa de juros, para fazer frente à forte queda nas bolsas ocorrida na ‘segunda-feira negra’.

“Tivemos um alívio mais cedo com a China, mas o cenário interno pesou. Ainda tem incertezas no lado político e isso está afetando o mercado”, disse o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues.

Noticiário político. Operadores de mercado citaram diferentes notícias para explicar a virada no câmbio. Eles falaram sobre a informação de que o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Gilmar Mendes enviou ao Ministério Público Estadual de São Paulo relatório técnico elaborado pelo Fisco paulista que detectou irregularidades em empresa contratada pela equipe da campanha de 2014 da presidente Dilma Rousseff. 

Os operadores também citaram a decisão do vice-presidente da República, Michel Temer, de deixar o ‘dia a dia’ da articulação política do governo e a acareação entre o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Yousseff, na CPI da Petrobrás.

“A sensação é de que o cerco contra Dilma está se fechando e o pessoal corre para o dólar”, disse Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora.

Economia. Os indicadores da economia também contribuíram para a piora do mercado no Brasil. Pela manhã, os números das contas externas confirmaram a dificuldade de o País atrair dólares. O déficit externo de US$ 6,163 bilhões em julho não foi compensado pela entrada de investimentos produtivos, de US$ 5,994 bilhões - o que torna o País mais dependente de investimentos financeiros, mais voláteis. Desde o início do ano, o déficit está em US$ 44,094 bilhões, com investimentos produtivos de US$ 36,926 bilhões.

“Não se consegue ver espaço para um dólar mais baixo. Além do cenário político, temos a possibilidade de a Fitch (agência de classificação de risco) cortar a nota brasileira a qualquer momento. E a China é um ingrediente novo ruim, apesar das medidas tomadas pelo país”, disse João Paulo de Gracia Corrêa, superintendente regional de câmbio da SLW Corretora.

A expectativa de mercado é que a Fitch rebaixe o Brasil, acompanhando movimentos recentes da Moody’s e da S&P, mas mantenha o selo de ‘grau de investimento’, uma garantia de bom pagador.

Na reta final do pregão, o dólar ampliou a alta, com os mercados externos também perdendo ímpeto, com dúvidas sobre a situação da economia mundial. “Já vinha ruim aqui e o mercado (acionário) dos EUA virou no fim do dia, azedando ainda mais o humor por aqui”, disse o diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros.

Depois de subir mais de 2,50% pela manhã, a Bolsa de São Paulo perdeu fôlego e terminou o dia com alta de 0,47%, aos 44.544, 85 pontos. /COM REUTERS

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