Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Dólar fecha a R$ 3,72 com preocupações sobre saúde de Bolsonaro

Investidores acreditam que o envio da proposta de reforma da Previdência ao Congresso pode demorar se a alta do presidente for postergada

Paula Dias e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2019 | 19h05

Depois de o Ibovespa renovar mínimas à tarde e o dólar bater máximas, diante da piora do humor externo em relação às negociações comerciais entre EUA e China, o mercado local chegou a ensaiar uma melhora. Entretanto, a notícia de que o presidente Jair Bolsonaro teve febre e está com pneumonia leve, conforme boletim do Hospital Albert Einstein, trouxe cautela adicional.

Depois do tombo de quarta-feira, quando caiu 3,74%, o Ibovespa encerrou em queda de 0,24%, aos 94.405,59 pontos, e o dólar à vista avançou 0,37%, a R$ 3,7187, e os juros futuros, que já subiam ajustando-se ao comunicado do Copom, ampliaram levemente a alta.

Lá fora, pesou a informação de que o presidente americano, Donald Trump, não deverá se encontrar com o presidente da China, Xi Jinping, antes do fim da trégua comercial bilateral, em 1º de março. A notícia levou as Bolsas da Europa e nos EUA às mínimas, os rendimentos dos Treasuries e o petróleo a acentuarem perdas e o dólar, a se fortalecer.

Apesar disso, o Ibovespa quase zerou as perdas e o dólar chegou a cair, após a declaração do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao BR18 de que a proposta de reforma da Previdência poderá ser votada na Casa até maio. Em meio a isso, a S&P reafirmou o rating do Brasil em BB-, com perspectiva estável, o que não chegou a influenciar os negócios. No fim da tarde, com a divulgação do boletim médico de Bolsonaro, os ativos domésticos voltaram a se desvalorizar.

A preocupação dos investidores é que o envio da proposta de reforma da Previdência ao Congresso pode demorar mais, uma vez que a alta de Bolsonaro pode ser postergada. Conforme um dos médicos que atendem o presidente, Bolsonaro precisa ficar, pelo menos, mais 5 a 7 dias no hospital. Segundo o porta-voz do Planalto, Otávio do Rêgo Barros, o presidente vai conversar por telefone com o ministro da Economia, Paulo Guedes, ainda nesta quinta-feira, e a reforma da Previdência deve ser um dos assuntos tratados. Também nesta tarde, Guedes declarou que "precisamos respeitar o 'timing' da recuperação do presidente Bolsonaro".

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