Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Dólar fecha abaixo de R$ 3,10 com atuação do BC

Moeda fechou em queda pela sexta sessão seguida; Bolsa, por outro lado, avançou 0,31%, também pelo sexto pregão consecutivo

Álvaro Campos, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2017 | 18h01

Impulsionado pelo cenário externo e pela oferta de swaps do Banco Central, o dólar engatou hoje a sexta sessão consecutiva de perdas antes o real, o que não acontecia desde o início de dezembro do ano passado. Participantes do mercado apontam que, se as reformas trabalhista e da Previdência continuarem caminhando bem, ainda há espaço para novas quedas da moeda.

O dólar à vista no balcão fechou em queda de 0,31%, a R$ 3,0970, acumulando perda de 3,10% nas últimas seis sessões e marcando o menor nível desde 4 de abril. Na mínima, bateu R$ 3,0881 (-0,60%), enquanto na máxima tocou R$ 3,1072 (+0,02%). O giro registrado na clearing de câmbio da B3 somou US$ 1,158 bilhão. No mercado futuro, o dólar para junho recuava 0,53% por volta das 17h15, a R$ 3,1085. O volume de negócios estava em US$ 13,819 bilhões. O dólar recuava ante a maioria das moedas emergentes e de países exportadores de commodities, como o rand sul-africano (-0,96%), o dólar canadense (-0,32%) e o peso mexicano (-0,45%).

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A Bolsa, por outro lado, teve sua sexta alta seguida e encerrou os negócios com um avanço de 0,31%, aos 68.684,49 pontos. Essa é a maior pontuação desde o pico do índice no ano, registrado em 21 de fevereiro (69.052 pontos).

O BC anunciou ontem que faria hoje leilão de venda de swaps cambiais. A autoridade colocou hoje 8 mil contratos. Se mantiver esse ritmo até o fim do mês, deve rolar integralmente o estoque que vence no primeiro dia útil de junho, de 88.700 contratos (US$ 4,435 bilhões), já que tem mais dez dias úteis até o fim de maio, desconsiderando a última sessão do mês, quando normalmente o BC não atua para não interferir na definição da Ptax mensal. 

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"O anúncio do leilão de swap fez pressão, mas o dólar também está caindo lá fora", comenta o operador de uma corretora paulista. "Como o dólar já vinha caindo nos últimos dias, alguns players acreditavam que o BC talvez não rolasse tudo dos swaps que vencem no próximo mês. Então o anúncio fez pressão para baixo sim", diz Durval Correa, da MultiMoney Corretora. Outro operador cita ainda a queda recente do CDS, com o contrato de cinco anos operando no menor nível desde janeiro de 2015, o que favorece a tendência de baixa do dólar.

O participantes também citam o otimismo com a reforma da Previdência, tendo em vista o empenho do governo Michel Temer nas negociações. A União está promovendo mudanças no Funrural para agradar a bancada ruralista e também trabalha na renegociação das dívidas dos municípios com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse hoje que a reforma tem grandes chances de ser aprovada e que o aval da Câmara poderia vir ainda este mês. 

"O governo acredita que vai ter sucesso nas reformas. Além disso, nos últimos dias temos visto um aumento no fluxo de recursos para o País, com investidores vindo para a renda fixa, para aproveitar a taxa mais alta antes da provável redução da Selic pelo BC no fim do mês", comenta Correa. Para ele, o nível atual do câmbio "está de bom tamanho", mas haveria espaço para novas quedas com a concretização das reformas. "Se isso ocorrer, o dólar pode cair de fato. Mas é difícil prever quanto", aponta. 

No exterior, o dólar caiu após notícias ontem de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou informações confidenciais com a Rússia. Apesar de não ser algo ilegal, o caso se soma à demissão do diretor do FBI e eleva o coro por um impeachment do magnata. Além disso, dados piores do que o esperado sobre o setor imobiliário colaboraram para a queda da moeda norte-americana. O índice ICE Dollar, que pesa a divisa ante seis principais rivais, tocou hoje a mínima de 98,109 pontos, o menor nível desde 9 de novembro do ano passado, no dia seguinte à eleição de Trump.

Já o petróleo oscilou bastante, mas fechou em queda modesta. A commodity foi influenciada pela Agência Internacional de Energia (AIE), que divulgou relatório no qual afirma que a possível extensão de cortes na produção de petróleo poderá não ajudar a reduzir os estoques globais para os níveis desejados, expectativa que fundamentou a alta recente do combustível fóssil.

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