Clayton de Souza/ AE
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Dólar fecha em alta de 0,7% com anúncio de tarifas contra China

A moeda americana subiu a R$ 3,8472 nesta quinta-feira, 1.º, depois que o presidente Donald Trump anunciou tarifa de 10% sobre US$ 300 bilhões em produtos chineses

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2019 | 18h20

A decisão do governo americano de impor mais tarifas sobre produtos chineses trouxe aversão a risco aos ativos globais. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou tarifa de 10% sobre US$ 300 bilhões em produtos importados da China, a partir de 1.º de setembro.

O anúncio limitou o desempenho até então bastante positivo dos mercados domésticos, em reação à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de cortar 0,50 ponto porcentual da Selic.

Em sessão de forte volume de negócios, o dólar à vista fechou cotado em alta de 0,71%, a R$ 3,8472, maior nível de fechamento desde 2 de julho. Ao final do pregão, o Ibovespa marcou 102.125,94 pontos, em alta de 0,31%.

 

Anúncio de Trump leva dólar às máximas

O dólar teve novo dia de volatilidade, mas firmou-se em alta na parte da tarde após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar pelo Twitter uma nova rodada de tarifas em US$ 300 bilhões de produtos chineses importados pelos americanos. Logo após a postagem, a moeda dos EUA bateu nas máximas do dia, superando R$ 3,85, dia em que o noticiário local ficou esvaziado.

"O impacto direto dessas tarifas (se impostas) serão modestos. Mas elas têm o potencial de prejudicar o crescimento mundial de forma mais substancial por meio de um impacto negativo na já fraca confiança dos agentes", escreveram nesta tarde os estrategistas do JPMorgan em Nova York.

No mercado de ações, os novos temores de acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China por pouco não neutralizaram a sessão de ganhos do Ibovespa nesta quinta-feira. Embalado pelo cenário de afrouxamento monetário no Brasil e no mundo, o índice chegou a subir mais de 2%, antes que o presidente americano, Donald Trump, acenasse com nova sobretaxação de produtos chineses.

Cautela do Fed no corte de juros pressiona real

O dólar já estava em alta no mercado internacional antes do tuíte de Trump sobre a China, por conta da visão de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) pode não promover um ciclo de corte de juros tão longo como o esperado, após as declarações de quarta-feira do presidente da instituição, Jerome Powell.

Um dos fatores que pressionou a moeda foi a redução do diferencial de juros entre o Brasil e os EUA, após o Banco Central cortar os juros em ritmo mais intenso aqui do que o Fed. "Um diferencial ainda menor não ajuda (o real)", ressaltam os economistas do Citibank, Leonardo Porto e Maurício Une.

Para os economistas do Citi, na ausência de um noticiário local mais forte, as notícias externas vão continuar ditando os movimentos do real.

Petrobrás puxa queda na Bolsa

As declarações inverteram o sinal positivo das bolsas americanas e aprofundaram a queda dos preços do petróleo, com reflexo direto sobre as ações da Petrobrás.

"As ações abriram bem, com o mercado feliz com a política monetária do Banco Central. Mas as declarações do presidente dos Estados Unidos pesaram sobre todo o mundo, principalmente sobre o petróleo, que registrou quedas muito expressivas", disse Ariovaldo Ferreira, gerente da mesa de renda variável da H.Commcor.

Responsáveis juntas por 11,3% da composição do Ibovespa, Petrobras ON e PN terminaram o dia com quedas de 1,53% e 1,84%, depois de terem oscilado em alta pela manhã, na contramão do petróleo.

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