Dólar fecha em alta de 1,28%, a R$ 2,608

Foi a maior alta porcentual ante o real desde 2 de janeiro; movimento da moeda foi influenciado pelo exterior e pelo Copom

Clarissa Mangueira, O Estado de S. Paulo

29 de janeiro de 2015 | 17h56

SÃO PAULO - O dólar registrou nesta quinta-feira a maior alta porcentual ante o real desde 2 de janeiro, acompanhando o avanço da moeda americana ante outras divisas no exterior. Além disso, recebeu suporte da leitura de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deixou em aberto a possibilidade de uma redução do ritmo de aperto monetário.

No fim dos negócios no balcão, o dólar à vista subiu 1,28%, aos R$ 2,6080. O volume de negócios no mercado à vista totalizava R$ 1,559 bilhão perto das 16h30. No mercado futuro, o dólar para fevereiro avançava 1,32%, a R$ 2,6130. 

O dólar acelerou os ganhos durante à tarde, à medida que investidores comprados em derivativos cambiais aproveitaram o forte viés e alta para o dólar em função do exterior para puxar ainda mais as cotações. O movimento foi uma preparação para a briga, que se intensifica amanhã, para a determinação da taxa ptax que servirá de referência para liquidação dos contratos futuros de fevereiro.

O avanço da moeda dos EUA nesta quinta-feira foi favorecido pela alta registrada ante outras divisas no exterior e pelo conteúdo da ata da reunião do Copom. No documento, o BC destacou pressões adicionais sobre os preços relativos neste ano e também reforçou a ideia de que a convergência da inflação à meta só ocorrerá em 2016. 

No entanto, a instituição deixou seu próximo passo em aberto, podendo ajustar a Selic em 0,50 ponto porcentual ou 0,25 ponto porcentual em março. Ontem, o mercado precificava chance maior de 0,50 pp e hoje fez uma pequena correção em baixa, mantendo as apostas divididas.

No âmbito internacional, o dólar ganhou força, ajudado pelo comunicado desta quarta-feira do Federal Reserve (Fed), que, para alguns analistas, mostrou um tom mais hawkish em alguns trechos(favorável à alta dos juros). Segundo Sebastien Galy, analista do Société Générale, uma frase do comunicado pode indicar que o banco central dos EUA está "pronto para ser mais hawkish do que o esperado" se for necessário. 

O BC dos EUA afirmou no comunicado que "se as informações futuras indicarem progresso mais rápido em direção aos objetivos de emprego e inflação do Comitê do que o esperado atualmente, então os aumentos na faixa meta da taxa dos Fed funds provavelmente ocorrerão mais cedo do que o antecipado atualmente."

Além disso, havia fatores específicos para a alta do dólar ante várias moedas emergentes. A lira turca perdeu força ante o dólar, por exemplo, diante da expectativa de que o Banco Central da Turquia anuncie um corte de juros em reunião extraordinária na próxima semana. Na Rússia, o rublo recuou ante o dólar, com operadores atribuindo o movimento à nova queda do petróleo durante a madrugada.

Os resultados das contas do governo central também foram observados no Brasil. Segundo o Tesouro Nacional, o resultado do chamado Governo Central, que reúne as contas do Tesouro Nacional, INSS e Banco Central, registraram déficit de R$ 17,242 bilhões em 2014, marcando o pior desempenho da série histórica que teve início em 1997. 

Foi o primeiro déficit da série e corresponde a 0,34% do Produto Interno Bruto (PIB). O dado contrariou a previsão do governo de fechar o ano com um superávit de R$ 10,1 bilhões e reforça as incertezas dos investidores sobre o cumprimento das metas fiscal dos governo.

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